A importância da leitura para os pequenos

De acordo com pesquisa feita pela empresa Reading is Fundamental (RIF), ler para os filhos tem se tornado um hábito cada vez menos usual. O levantamento feito com mil pais apontou que apenas 33% deles leem histórias para os filhos antes de dormir. E se você acha que falta de tempo é o principal motivo para que isso aconteça, engana-se. Para a psicóloga e psicopedagoga Cinthia de Cassia Karolis Ferreira, existem várias razões que justificam a falta da contação de histórias.

“Há pais que não adquiriram o hábito de ler no passado e na fase adulta fica mais difícil aceitar a leitura como algo prazeroso. Outros, devido à correria do dia a dia, quando chegam em casa encaram uma rotina pesada, cheia de preocupações e acabam deixando a qualidade de vida e o lazer de lado. O resultado é que os filhos acostumam-se com a solidão e acomodam-se com a tecnologia, como televisão, internet, videogame, tablet e celular, deixando os livros de lado”, explica.
No entanto, é importante lembrar que, para as crianças, a leitura pode ser tão importante quanto as brincadeiras e socialização feitas na escola durante os primeiros anos, porque estimula a curiosidade, imaginação, fantasia e capacidade de criar. “É uma motivação para o crescimento intelectual, além de favorecer e enriquecer o vocabulário da criança. Enquanto ouve a história, a criança cria seu próprio cenário e experimenta diferentes emoções que envolvem momentos alegres, tristes, assustadores, podendo identificar-se com determinados personagens. Quanto mais estimulada for, mais rico será o cenário. Por isso a importância de ler livros de diferentes temas, de preferência com ilustrações e coloridos”, pontua Cinthia.
A contadora de histórias, atriz e arte-educadora Wânia Karolis consegue definir bem o quão enriquecedora é essa experiência. Há seis anos lendo para os pequenos, a profissional destaca alguns benefícios que identifica em suas contações. “Observo que, seja por meio de um livro ou da memória do contador, na hora de ouvirem a história, as crianças se aquietem para ver no cineminha inventivo das suas mentes essas histórias ganharem cores, movimentos e vida. A vida que é dada por sua própria imaginação ativa, por sua própria compreensão e inteligência, ficando assim à vontade para imaginarem da maneira que quiserem, levando-as sempre às muitas perguntas curiosas e instigantes; às risadas e, muitas vezes, às lágrimas; ao abraço da contadora de histórias e até a querer cantar e dançar no espaço da contação”, afirma.
Ainda de acordo com Wânia, ouvindo, lendo ou brincando com as histórias, as crianças potencializam e praticam os quatro pilares da educação propostos por Jacques Delors à Unesco, como forma integral do desenvolvimento. “Elas aprendem a conhecer, a fazer, a conviver e a ser”. Por meio da leitura, a imaginação torna-se uma importante ferramenta na construção do indivíduo, como é colocado no livro “Imaginação e criatividade na infância”, do russo Vygotsky. Na obra, o autor descreve que “a atividade criadora da imaginação está relacionada diretamente com a riqueza e a variedade da experiência acumulada pelo homem, uma vez que essa experiência é a matéria-prima a partir da qual se elaboram as construções da fantasia. Quanto mais rica for a experiência humana, mais abundante será o material disponível para a imaginação”.

De acordo com a psicóloga Cinthia, o hábito pode ser iniciado desde os primeiros meses. “Mesmo que ainda não tendo condições de compreender a história, a criança já tem a percepção da forma que a história é contada, como, por exemplo, o tom de voz e a emoção que lhe é transmitida. Existem muitos livros interativos, com cores fortes, texturas, sons e outros elementos que estimulam a visão, a audição, a fala e o tato, afora o vínculo que acontece com os pais durante este momento. E, mesmo depois que a criança aprende a ler, é importante que os pais continuem dando exemplo, praticando a leitura e apresentando como um momento prazeroso, e não apenas para uso escolar; jamais como uma obrigação. Ao ver os pais lendo, a criança tende a valorizar tal ato”, avalia.
Outra questão importante é pensar na literatura mais adequada para a hora da leitura. Para Cinthia, é essencial ler histórias diferentes, de acordo com a faixa etária da criança. “Mas, no geral, pode um pouco de tudo: contos reais, contos de fadas, histórias inventadas; sempre prestando atenção nas preferências. Por exemplo, para as crianças pequenas, são aconselháveis leituras mais curtas e rápidas, uso de linguagem simples e com ilustrações coloridas. Já para crianças em processo de alfabetização, livros com frases curtas, com letras grandes”, finaliza.

Cinthia de Cassia Karolis Ferreira é psicóloga e psicopedagoga na Clínica Psicológica APPAR, localizada na avenida Emílio Ribas, 1.056 . Telefone para contato: 2421-6620.

Wânia organiza e participa de contações de histórias nas escolas públicas e privadas de Guarulhos e Grande São Paulo. Para saber mais sobre as apresentações, vale conferir o site www.waniakarolis.com.br ou entrar em contato pelo e-mail waniakarolis@hotmail.com

Fonte:http://www.clickguarulhos.com.br/

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