A importância de corrigir a fala das crianças

Sempre existe uma expectativa muito grande, por parte da maioria dos pais em ouvir as primeiras palavras dos filhos. Geralmente, cada som emitido é motivo de comemoração, pois indica que o desenvolvimento está transcorrendo de maneira natural. Mas, é preciso ficar atento e tomar alguns cuidados para que o hábito de repetir palavras erradas ou dar nomes diferentes para determinados objetos não atrapalhe o aprendizado, tanto do falar quanto do escrever, por mais engraçadinho que possa parecer. Por outro lado, corrigir diretamente ou em excesso pode atrasar o desenvolvimento, uma vez que tal atitude pode inibir o pequeno, seja por vergonha ou por irritação.

De acordo com a fonoaudióloga Ângela Aparecida de Rosa, da Clínica Dr. Família, antes mesmo da criança começar a balbuciar os primeiros sons, alguns cuidados são necessários. “Os pais ou cuidadores não devem repetir a palavra errada dita pela criança. Eles devem dizer a palavra de maneira correta, utilizando-a dentro de um contexto, para que a criança possa armazenar a maneira correta e conseguir utilizá-la em outro momento. Não se deve usar os diminutivos ou trocar alguns sons das palavras, pois como a criança geralmente imita o adulto e ainda não conhece os sons corretos das palavras, irá repetir de maneira incorreta. O ideal é sempre falar corretamente com a criança, desde bebê, utilizando uma boa articulação, falando na mesma direção da criança, sem utilizar uma fala infantilizada”, explica.

Do contrário, os pais ou cuidadores, de maneira inconsciente, poderiam prejudicar o desenvolvimento da linguagem das crianças. Segundo a profissional, uma fala errada, que ao mesmo tempo é engraçadinha, pode mascarar a dificuldade da criança de se comunicar adequadamente. “Quando a fala errada ou infantilizada perdurar por muito tempo, é um sinal de que a criança está apresentando dificuldade para se comunicar, pois provavelmente não está sabendo utilizar os sons das palavras adequadamente, interferindo assim na inteligibilidade da fala e, consequentemente, na sua comunicação. Sendo assim, a fala ‘graciosa’ pode mascarar a dificuldade da criança em se comunicar”, detalha.

Quando procurar ajuda?

Nos primeiros momentos, é comum e normal a criança apresentar algumas trocas de fonemas. Entretanto, é importante observar se essas trocas se corrigem naturalmente, recebendo apenas o estímulo de outras pessoas falando a palavra correta. Se entre os dois e quatros anos a dificuldade em pronunciar algumas frases ou palavras for muito evidente e insistente, o sinal de alerta deve ser ligado. “Com dois anos a criança já é capaz de formar pequenas frases, dando conotação de um diálogo. Até os quatro anos, a criança já consegue se apropriar da linguagem oral de maneira correta, relatando fatos e articulando adequadamente todos os sons. Caso isso não ocorra, é necessário procurar ajuda de um profissional especializado”, alerta a fonoaudióloga.

Saber qual o momento adequado para a busca por ajuda profissional, com o encaminhamento da criança ao fonoaudiólogo para uma avaliação de fala e linguagem, vai depender exclusivamente da sensibilidade e capacidade de observação dos pais ou cuidadores. “Os pais devem procurar ajuda quando perceberem que a criança está com dificuldade para desenvolver a linguagem com trocas na fala, dificuldade para articular, brincar e interagir com outras crianças, ou se suspeitarem que a criança não esteja ouvindo bem”, pontua.

Técnicas e formas de incentivo

Todo o cuidado é necessário, pois além de atrapalhar na comunicação direta, a criança que fala errado tem maior probabilidade de escrever errado, uma vez que existe relação entre a fala e a escrita e, dessa forma, a alfabetização pode ser prejudicada. “O ato de falar e escrever são ações que estão muito relacionadas, pois não há uma área do cérebro específica responsável pela escrita. Portanto, se houver dificuldade na fala, a criança pode escrever errado. Para falar, utilizamos os fonemas (sons das letras), que são representados graficamente pela escrita. Então, se uma criança produz um fonema de maneira incorreta, pode apresentar dificuldade para representá-lo graficamente”, observa Ângela.

Para a profissional, a melhor maneira de os pais auxiliarem a reverter o problema é sempre dar o modelo correto para a criança. Além disso, devem ser pacientes, tolerantes e compreensivos, incentivar para que a criança continue falando mesmo que de maneira errada, sempre falar na mesma direção do pequeno, com boa articulação e corrigindo indiretamente, repetindo o que a criança disse de maneira correta, sem enfatizar o erro. Quanto às técnicas para estimular o desenvolvimento da fala correta e o que fazer para que o “gugu” ou “dada” não sejam postergados ou até mesmo eternos, ela enumera: “A melhor técnica para estimular o desenvolvimento da fala e linguagem é através do brincar. O brincar é um ato muito simbólico, pois a criança imita as ações do outro. É sempre muito importante conversar com a criança na sua direção, para que a mesma possa observar a produção da fala do outro, recebendo assim um estímulo visual e auditivo. É necessário que todas as fases do desenvolvimento sejam sempre respeitadas, somando o que já foi aprendido e incentivando o aprendizado de novas situações. O melhor conselho que posso dar aos pais é para brincarem sempre com suas crianças, utilizando materiais (brinquedos) de acordo com a idade, coloridos, sonoros e realizar leitura de livros de histórias”, finaliza.

Clínica Dr. Família
Rua Cubatão, 408, 8º andar
Vila Mariana – São Paulo/SP
2704-7700

Fonte:http://www.clickguarulhos.com.br/

Share This: