A maior pedreira do Brasil é de Guarulhos

De dentro do escritório o barulho dos caminhões é abafado. O movimento de veículos da Paupedra é constante e pode ser observado de uma vista privilegiada pelo administrador do império, Miguel Martello, 63, não apenas pelas janelas, mas por dezenas de câmeras.
É fácil encontrar um caminhão da Paupedra por aí. De aspecto rude, levam material da pedreira dos Martello para ser usado em alguma obra. Muita gente sabe que a Paupedra é de uma tradicional família guarulhense e que fornece brita para muitas obras.
O que pouca gente sabe é que a Paupedra é a maior pedreira do Brasil!

“Eu tive a coragem de investir em equipamentos novos quando a atual crise ainda se avizinhava. Entre 2012 e 2014 nós trocamos uma linha inteira de britagem (processo de trituração de rochas), que era antiga e, hoje, temos duas linhas novas”, explica Miguel Martello.

Com mais de 500 funcionários, a Paupedra tem capacidade de produzir mensalmente 300 mil m3 de brita, 15 mil toneladas de massa asfáltica e até 8 mil m3 de concreto. “Nós crescemos muito, principalmente de 2003 para cá. Isso se deu com investimento na empresa. Somos a maior pedreira do Brasil em equipamentos e rocha. Temos uma área de 240 mil alqueires”, aponta Martello. A área equivale a quase 6 milhões de metros quadrados.
A Paupedra fornece materiais para várias cidades do estado. Não é a toa que detém um faturamento invejável de R$ 200 milhões por ano. E apesar de ser uma empresa de tradição guarulhense, a Prefeitura de Guarulhos responde por parte irrisória do faturamento, aproximadamente 1%.

Arrojo e coragem para crescer

Quando Fausto e Túlio Martello – então negociantes de materiais de construção da região na década de 1950 – alugaram uma área no Bairro Capelinha, à beira da Estrada Guarulhos-Nazaré, certamente não imaginavam que os 3 alqueires se transformariam na maior pedreira do País. “Meu pai e o meu tio compraram a Paupedra em 1957. Ela tinha sido fundada em 1952. Vendiam pedra, areia e tijolo. Britavam pouco mais de três mil m3 de pedra por mês”, lembrou Martello.

O que mais tinham era força de vontade. Martello contou que foram tempos de muita dificuldade e de calotes. “Quase não é possível imaginar que a empresa que começou carregando os materiais em sete carroças puxadas por burros teria hoje 150 caminhões”, afirmou.

Martello pegou cedo no batente. Com 13 anos já trabalhava como office-boy na empresa. “Meu pai sempre me ensinou a trabalhar, desde cedo. Eu atendia telefone e pagava as contas no banco. A Paupedra tinha um escritório na Rua Boa Vista, na Capital, porque Guarulhos não tinha linha telefônica na época. Eu estudava no Colégio do Carmo, e quando saia de lá já ficava no escritório”, explicou.

Com o tempo, Martello pegou gosto pelo negócio. Virou assistente administrativo e, com a venda da parte do tio Túlio na sociedade, em 1982, ganhou do pai 20% de participação na pedreira. “Meu pai me deu 10%, mas pedi mais 10%, pois sabia que eu tinha condições de ajudar a empresa a crescer mais. Eu tinha 30 anos. Foi um período difícil. Meu pai comprou em parcelas a parte do irmão. Tivemos que trabalhar muito para pagar”, disse.
Sem rodeios, Martello aponta o motivo do crescimento da Paupedra. “Eu sou mais corajoso que o meu pai e o meu tio”.

Na Marginal “dos guarulhenses”, material de guarulhenses

A grandiosidade da Paupedra não está apenas na capacidade produtiva de sua planta. Impressiona o número de grandes obras que tiveram material fornecido pela pedreira guarulhense. As obras de ampliação da Marginal do Tietê, em toda sua extensão, tiveram participação fundamental da Paupedra. Especificamente no trecho entre as pontes do Aricanduva e das Bandeiras (aquele mais utilizado pelos moradores de Guarulhos que trabalham ou estudam na Capital) 100% do material veio da Paupedra.
Antiga reivindicação da população local, o Metrô ainda não chegou a Guarulhos, mas a cidade está nas obras de extensão da companhia, em várias estações. Desde as mais recentes até as mais antigas como a estação da Sé, pois grande parte da brita utilizada nas obras foi fornecida pela Paupedra.

Como o leitor pode conferir nas imagens destas páginas, a Paupedra participou das maiores obras do Estado de São Paulo, como a construção das rodovias dos Imigrantes, dos Tamoios e Ayrton Senna (antiga Trabalhadores), do Cebolão, do Aeroporto de Cumbica (no início e nas ampliações), da represa da barragem de Taiaçupeba, da ponte do Mar Pequeno, em São Vicente, da Praça da Sé, da barragem do Córrego Aricanduva, entre centenas de outras mais espalhadas pelo estado.

Austeridade na Administração

Tudo na Paupedra é administrado com rigidez e máximo controle. É um dos segredos do sucesso e que fez dela uma das maiores mineradoras da América Latina. A capacidade de gerenciar um orçamento gigantesco e a clareza dos desafios de ser uma empresa para a vida toda, e portanto da necessidade de enfrentar tempos difíceis ao longo da história, fizeram a Paupedra atravessar a atual crise de forma saudável. Mais do que isso, investindo para seguir avançando em tecnologia e sustentabilidade. “Só assumimos compromissos que podemos honrar e sempre guardamos parte do faturamento”, explica Martello.
A empresa baseia sua atuação em três pilares: qualidade de produto, pontualidade na entrega e bom preço. “Em termos de pedreira estamos no topo”, afirmou Martello. Adequou-se, ainda, às leis ambientais. Colocou-se dentro das normas e realizou, entre diversas adaptações, obras de canalização. “Sempre fomos muito visados, e isso nos ajudou a perseguir todos os melhores padrões de operação. Estamos perfeitamente dentro das normas”, diz, sem esconder o orgulho.
E para garantir a excelência, na Paupedra não se fala em terceirização. Serviços essenciais de mecânica, borracharia e até marcenaria, por exemplo, são realizados em estruturas próprias, instaladas no interior do complexo. “Deixar nas mãos dos outros resulta em perda de dinheiro e serviço malfeito. Somos especialistas em cada etapa de nosso processo. Com isso economizamos custos, ganhamos qualidade e nos tornamos ainda mais competitivos. Por isso ganhamos tantas concorrências”, conta.
Conhecedor de cada palmo do descomunal complexo, ao caminhar pela pedreira, Martello percebe qualquer coisa fora de lugar. Nem a areia molhada pela chuva no final de uma via passa despercebida por ele. “O que aconteceu aí?”, perguntou a um funcionário, que lhe garantiu a solução do problema.

Cuidando das pessoas, da natureza, da vizinhança, da cidade

Na contramão do cenário atual, decidiu não abrir mão de nenhum funcionário até que haja uma reação do mercado. “Não vamos demitir até melhorar a economia. Acredito na recuperação do Brasil”, explicou.
A Paupedra conta com 500 funcionários que recebem não apenas o salário no final do mês, mas o apoio de Martello. “Sempre ajudamos nossa gente”, falou. Até a igreja em frente à empresa passou a ser conservada por ele a pedido dos colaboradores e da comunidade.
Um dos braços direitos de Martello, Jurema Camisotti, de 86 anos, trabalha na Paupedra há mais de 40 anos. “Eu o conheço desde criança”, contou, com uma ternura que lhe é peculiar e que acalma os ânimos do patrão. Jurema tem na memória a história da empresa e de Martello, com quem mantém um relacionamento de amizade. “Ele sabe que eu não preciso bajular, mas sem ele isso aqui não seria o que é hoje”, afirmou. “Assim como a Jurema, muitos dos nossos colaboradores estão conosco há décadas. Somos muito leais a eles, que são tão dedicados a nós”, declara Martello.
A Paupedra sempre teve uma participação importante na história da cidade, contribuindo para o seu crescimento e infraestrutura. Martello conta com admiração o fato de o pai e o tio levarem energia elétrica para a região da pedreira porque precisavam de condições para trabalhar, de “endireitar” a estrada para melhor locomoção. E continuam com as melhorias. “Fizemos isso não porque a empresa usa a via, mas porque muitos passam por ela”, afirmou.

Fonte:http://www.clickguarulhos.com.br/

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