Aluna cadeirante de 18 anos organiza desfile de moda inclusiva em Guarulhos

Ao lado de sua professora e de alguns colegas de colégio, uma estudante do ensino médio realizou um evento emocionante e repleto de mensagens importantes para uma sociedade que ainda não enxerga como se deve as pessoas portadoras de deficiência física ou com mobilidade reduzida. Pâmella Violandi Andrade, de 18 anos, criou o Modilha, desfile de moda inclusiva que aconteceu na manhã do último sábado, 27/08, no Colégio Carbonell, na Vila Augusta.

“O mundo precisa abrir os olhos para as pessoas com mobilidade reduzida”, alertou a jovem, que é cadeirante, entre lágrimas emocionadas após o desfile, um desafio que ela encarou para alertar a sociedade e para sua automotivação. “A Pam é uma pessoa de alma gigante, mas pouco compreendida. E suas dificuldades a sufocavam e desmotivavam”, afirmou a professora de História da Arte Juliana Seabra.

Durante as várias conversas que mantinha com Pâmella, a docente buscava alguma ideia para ajudar a aluna. “Ela sempre me falava de suas dificuldades, como a de se vestir. Certa vez ela citou um descaso com o qual a atendente de uma loja de roupas a tratou, dizendo que determinada calça não serviria na Pam sem sequer dar a chance dela provar a peça”, disse a professora.

Foi quando surgiu a ideia de propor a realização do desfile. “Meus olhos brilharam na hora”, disse Pâmella, que imediatamente lembrou de alguns colegas que têm intenção de seguir carreira na área da moda. “Pesquisamos muito e tivemos o apoio do colégio desde o início, em março. Desde então, os alunos decidiram o tema (criaturas míticas) e passaram a desenhar e produzir as peças”, disse Juliana.

Os “estilistas” usaram materiais recicláveis para produzir as roupas, que têm funcionalidades essenciais para quem possui mobilidade reduzida, como aberturas laterais, fechamentos em velcro e ausência de detalhes nas costas.

O desfile contou com 16 modelos: 10 alunos e seis portadores de deficiência convidados por Pâmella. “Fiquei com frio na barriga na hora de entrar na passarela. Mas não era medo. Era emoção por ter dado tudo certo”, disse Pâmella, que escolheu Modilha para batizar o evento por significar “mudança”.

“A arte tem o poder de resolver qualquer problema”, comemorou a professora Juliana. “Saímos desse evento melhores do que chegamos. Esse desfile contribui muito para a evolução de nossa sociedade”, disse a mantenedora do Colégio Carbonell, Andrea Minichelli Lourenço, sem esconder a emoção.

Fontes:https://www.clickguarulhos.com.br

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