Análise: São Paulo é o que se propôs a ser em 2016. Agora, precisa ser mais

Durante quase um mês de pré-temporada, foi ressaltado o trabalho de Edgardo Bauza para corrigir defeitos defensivos do São Paulo, sempre regidos pela palavra “organização”, repetida insistentemente. Todos – jogadores, dirigentes, torcedores e jornalistas – acharam uma maravilha, afinal, a equipe de 2015 dava a impressão de que sofreria um gol a cada vez que o adversário passava do meio-campo.

A entrevista do presidente Leco depois do 6×1 em Itaquera decretou outro requisito para o ano: raça, determinação, compromisso, o fim da apatia, processo que tem em seu maior ícone a contratação do uruguaio Diego Lugano.

Pois bem, já é possível dizer que o São Paulo de 2016 é mais seguro, organizado e aguerrido, num processo que ainda deve evoluir, afinal de contas, mal superamos o Carnaval. O São Paulo que eliminou o César Vallejo com um 2×1 agregado – 1 a 0 nesta quarta-feira, no Pacaembu – é aquilo que se propôs a ser neste início de reconstrução, embora tenha sido alardeada a improvável hipótese de uma goleada.

Para ultrapassar a fase de grupos com River Plate, The Strongest e Trujillanos, Patón terá de dar ênfase à criação, ao setor ofensivo, à missão de ser organizado sem ser previsível. Pelas últimas entrevistas, o técnico parece saber disso, como deixou claro após a classificação.

Coisas boas foram mostradas em 180 minutos de Libertadores. Por exemplo, foram cinco bolas na trave, todas originadas em jogadas de laterais. Dos pés de Bruno, saíram os cruzamentos para Alan Kardec e para o pênalti sofrido por Ganso, além do passe para o carrinho de Calleri. Pela esquerda, Mena rolou para Ganso e Carlinhos iniciou lance que culminou na finalização de Hudson. Todas pararam nas traves do goleiro Libman. Antes imperceptíveis e contestados, os laterais tornaram-se úteis na criação sem deixarem lacunas na organização defensiva.

A chegada dos volantes à frente também se mostra eficaz. Hudson e Thiago Mendes produziram mais chances do que os jogadores dessa posição tinham o hábito no Tricolor.

Os centroavantes dão a Patón características diferentes. Calleri é um inferno dentro da área, enquanto Alan Kardec transforma-se no eixo da troca de passes ofensiva, fazendo a bola girar em torno de si com mais eficácia. Há ainda Kieza, que não teve muito tempo de jogo.

O maior problema de Bauza parece ser a questão Centurión. O atacante parece habitar outro espaço em relação ao time que apresenta uma ideia de jogo mais consolidada. Seus chutes não fazem sentido, suas decisões tampouco. Não se sabe até quando o treinador vai preservar a montagem da pré-temporada em detrimento de opções que parecem melhores, casos de Rogério, Wesley ou até a possibilidade de dois centroavantes.

Ter alternativas será essencial para que o São Paulo consolide sua forma de jogo. O início é promissor, mas que ninguém espere resultados imediatos ou grandes espetáculos. Se aqueles que previam goleadas sobre o César Vallejo acharem que a classificação para oitavas de final será fácil, a chance de errar novamente é gigantesca.

Fonte:http://globoesporte.globo.com/

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