Brasileirão 2015, a guerra dos tronos já começou

O maior alerta é não cometer erros que, em anos anteriores, foram mortais para alguns, como Héverton e a Portuguesa de 2013, Eduardo e o América-MG de 2014

Todo fim de semana, não há duvidas; os que apreciam ma competição estacionam na frente da TV e curtem uma briga que envolve grandes reis, príncipes, vilões e seres misteriosos. Não, não é a Série A do Campeonato Brasileiro e sim outra, a famosa série “Game of Thrones”, uma guerra pelo trono de melhor de todas as terras. Guerreiros de norte e sul fazem de tudo para conquistar a única coroa. Semelhante ao nosso Brasileirão, com suas particularidades.

Uma das diferenças é que, na série fantasiosa, poucas são as regras. De tudo se faz para a vitória, usando de subterfúgios nem sempre legítimos. Mas, na série real, o Brasileirão tão esperado por todos os amantes da bola, as regras são únicas, firmes e existem para serem cumpridas, visando a uma disputa correta e leal. Quem não observar, pode perder a cabeça.

O maior alerta aos competidores, prontos para a batalha, é não cometer erros que, em anos anteriores, foram mortais para alguns. Héverton e a Portuguesa de 2013, Eduardo e o América-MG de 2014 são exemplos clássicos.

Inscrições de atletas, vigências dos contratos, publicações no BID, limites de datas e de transferências, controle dos torcedores e até preços de ingressos são normas instituídas e
previstas nos Regulamentos (Geral e Específico da Competição) e têm de ser cumpridas, sob pena de masmorra e cadafalso. A grande muralha do futebol brasileiro e responsável por chancelar a competição, a CBF, não quer deixar rastros de reclamação de nenhum de seus postulantes ao reino. E o que de mais relevante há no pergaminho com as leis desta nobre batalha?

O dia 15 de setembro é o limite para se inscreverem novos jogadores, e um atleta pode ser transferido para outra agremiação somente uma vez, desde que tenha atuado em até seis partidas. E, por atuar, leia-se entrar em campo e jogar, pois atleta esquentando o banco não entra nesta contabilidade. Jogou a sétima, perde o direito de mudar de tribo. E é importante citar o limite de atletas por transferência, assunto que já derrubou muitos reinos em temporadas anteriores. Cada clube poderá receber até cinco jogadores de outro clube da Série A. De um mesmo clube, apenas três.

Além das normas fundamentais para se ter um exército competente e capaz de vencer, os reis comandantes precisam ficar atentos também às arenas onde as batalhas ocorrerão. A regra é um estádio com mínimo de capacidade para 15 mil torcedores, e os preços aplicados ao público deverão ser a partir de R$ 40.

Aos generais que comandam os exércitos, no caso, a comissão técnica, o recado é por demais relevante: atenção às posturas na beira do gramado e no banco de reservas. Além da própria Comissão de Arbitragem da CBF já ter orientado os árbitros para agirem proporcionalmente ao eventual escândalo e reclamação, toda e qualquer exclusão ensejará a inédita suspensão automática. A partir deste ano, treinador e jogador expulsos assistirão à partida seguinte do mesmo lado: fora das quatro linhas.

Aos soldados, sempre o risco de doping assusta. Suspensão de mínima de 4 anos deve ser sempre lembrada em meio às batalhas, que têm de ser limpas, justas e com paridade de armas.

Mas a vida para quem comanda nem sempre é fácil. Os dragões podem crescer e perder o controle deles significa a derrota. Reis e rainhas, atentos aos soldos que sustentarão suas nobres
guarnições! Quem não cumprir o fair play financeiro, poderá perder 3 pontos por partida. Sim, ele chegou e está em vigor, apesar de todos os pesares. Prazo superior a 30 dias de atraso no pagamento da remuneração (salário, imagem, etc) poderá ensejar, após denúncia do atleta ao STJD, punição das mais severas ao seu clube. Mas quem vai se expor? A ferramenta está aí, basta saber se será usada. Esta é, sem  dúvida, uma das maiores novidades desta temporada da guerra do Brasileirão. Correção e lisura são nobres posturas em um embate desta envergadura. E um alerta para quem não se sustentar nesta norma e resolver abandonar a disputa: a punição é severa e será de dois anos de suspensão de qualquer competição nacional.

Começou! Estratégias de combate, conchavos políticos, batalhas no campo, nos bastidores, todas as forças são válidas em busca do título máximo, do repouso em Kingslanding e da glória em se erguer a Taça de Campeão. Com escudos, armaduras, chuteiras e uma enorme vontade de vencer, reinos clubísticos se reúnem até dezembro para batalhas épicas. As cenas são fortes, o sangue pulsa. A sorte está lançada!

Paulo Bracks

http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2015

 

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