Com bolso mais apertado, cresce o financiamento de carros usados no Brasil

Na contramão do mercado de veículos novos, o financiamento de carros usados “jovens” (quatro a oito anos) cresceu quase 3% no primeiro trimestre em comparação a igual período de 2014.

O percentual é significativo se comparado à queda de 16,8% no financiamento dos veículos zero.

Desde 2011, quando a Unidade de Financiamento da Cetip passou a reunir informações sobre esse mercado, esse foi o trimestre com maior volume de financiados nessa faixa –perto de 393,5 mil.

No total foram 387 mil financiamentos para novos e 708,3 mil para usados, somadas todas as faixa de idade.

“Com o bolso mais apertado pela inflação e a confiança na economia mais afetada, o consumidor opta pelo usado em vez do novo”, diz Marcus Lavorato, gerente dessa unidade da Cetip.

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Para Décio Carbonari, presidente da Anef, associação das empresas financeiras das montadoras, há uma migração evidente de consumo. “Quem comprava o novo opta pelo seminovo [zero a três anos]. Parte de quem comprava essa faixa já opta por um mais antigo, mas ainda em boas condições de uso”, diz.

Com mais medo de perder o emprego e a renda retraída, o consumidor opta por um produto mais barato para evitar o risco de se endividar. “Da mesma forma que o consumidor substitui a qualidade do queijo ou do iogurte que põe no carrinho do supermercado, ele troca o carro novo pelo usado”, completa Carbonari.

Por região, metade dos financiamentos de usados jovens se concentra no Sudeste. Na comparação com janeiro a março de 2014, Norte e Nordeste são as regiões que mais aumentaram o número de unidades financiadas.

Modelos populares, como Gol, Palio, Uno e Celta lideram o ranking dos mais procurados. O consórcio foi a modalidade de financiamento que mais cresceu no período, embora o CDC (crédito direto ao consumidor) ainda seja o mais procurado.

Outras razões que levaram os consumidores a optar pelo usado, segundo consultores, são os preços dos novos –subiram de 7% a 10%, dependendo do modelo, por causa da retirada de incentivos fiscais (IPI reduzido) e do fim dos bônus (subsídios) de montadoras a revendedores.

A média de juros ao mês nos financiamentos feitos diretos ao consumidor é de 1,86%, segundo dados do BC.

“As vendas de usados cresceram 2,6% [no trimestre] e vão bem. Mas temos interesse que a dos novos também seja retomada”, diz Ilídio dos Santos, presidente da Fenauto, que representa 48 mil lojas de usados no país.

Em um prazo de três meses, o mercado pode até sentir falta de modelos usados mais populares, muito procurados, diz. “O novo de hoje é o usado de amanhã.”

Fonte: Folha

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