Com menos paradas, GP da Rússia vai expor melhor a realidade de cada time

As seguidas mudanças de classificações nas três etapas disputadas este ano, Austrália, Bahrein e China, não permitem a ninguém afirmar nada a respeito da corrida seguinte, apesar de Nico Rosberg, da Mercedes, ter vencido as três. A liberdade de escolher os pneus entre os três tipos disponibilizados pela Pirelli redimensionou a competição. Na prova de Xangai, por exemplo, dia 17, foram registradas impressionantes 175 ultrapassagens. Recorde histórico.

Mas apesar desse retrospecto emocionante, este ano, se valer o que aconteceu em 2014 e 2015 o GP da Rússia, próximo do calendário, domingo, será diferente. Infelizmente as possibilidades de algo semelhante são pequenas. A pista de 19 curvas e 5.848 metros do Autódromo de Sochi está dentre as que submetem os pneus a menos esforços dentre todas do campeonato. Mesmo os pneus supermacios são capazes de permitir aos pilotos completar número elevado de voltas.

É por isso que a Mercedes escolheu para Rosberg e Lewis Hamilton 7 jogos dos supermacios e 3 dos macios. Além desses 10 jogos, definidos pela equipe, os pilotos da Mercedes têm, como todos os demais, mais um jogo de supermacios, um dos macios e um dos médios, distribuídos pela Pirelli, como manda o regulamento. A ascendente RBR terá para Daniel Ricciardo e Daniel Kvyat 10 jogos dos supermacios, 3 dos macios e 1 dos médios.

A Ferrari ficou entre as duas, Mercedes e RBR. Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen vão usar de sexta-feira, nos treinos livres, a domingo, ao longo das 53 voltas da corrida, passando pelas sessões livre e classificatória de sábado, 6 jogos dos supermacios, 6 dos macios e 1 dos médios.

Provavelmente menos ultrapassagens

O que isso significa num traçado com as características particulares do de Sochi? Haverá menos espaço para as agradáveis surpresas das provas em Melbourne, Sakhir e Xangai, menor número de ultrapassagens. Em 2015, os pneus do GP da Rússia foram os macios e os supermacios. E quase todos os pilotos fizeram um único pit stop, em razão da reduzida degradação dos pneus.

O vencedor, por exemplo, Hamilton, largou em segundo, com os supermacios usados no Q2 da definição do grid, e manteve-se com eles até a 32ª volta. Fez o seu pit stop, regressou à pista com macios novos e seguiu assim até a bandeirada, 21 voltas mais tarde.

Felipe Massa, autor de belo trabalho, não chegou no Q3 no sábado. Ficou no tráfego e largou em 15º. Tinha carro para bem mais, haja vista que o companheiro, Valtteri Bottas, obteve o terceiro tempo no sábado. Massa largou com macios novos e no seu pit stop, na 30ª volta, colocou supermacios novos para as 23 voltas finais. Acabou em ótimo quarto lugar.

Outra estratégia distinta foi a do mexicano Sergio Pérez, da Force India, terceiro colocado. Começou a corrida em sétimo, com os supermacios usados, os mesmos do Q2, e parou cedo, ainda na 12ª volta, para deixar os boxes com macios novos. Completou 41 voltas sem dificuldades com esses pneus. Até a penúltima volta, a 52ª, era o quinto, mas Raikkonen tentou ganhar o terceiro lugar de Bottas, tocou na traseira da Williams e ambos saíram da pista. Perez herdou o pódio, sem que não tivesse mérito para celebrar a conquista.

Faz sentido resgatarmos também a edição do primeiro GP da Rússia, em 2014. Rosberg tentou ultrapassar Hamilton na freada da curva 2, depois da largada, e travou as rodas dianteiras. No fim daquela volta, a primeira, foi para os boxes por causa de os seus pneus macios usados terem ficado “quadrados”. Instalou os médios novos. Não parou mais, Rosberg completou 52 voltas com aquele jogo de médios, garantindo o segundo lugar.

A maior parte das ultrapassagens, este ano, nas etapas da Austrália, Bahrein e China, aconteceu porque os pilotos estavam em diferentes estratégias de pneus. Mas no GP da Rússia, parar nos boxes significará perder tempo, em razão de os pneus, mesmo os supermacios, não perderem tanta performance, decorrência do pequeno desgaste.

Se faz sentido esperarmos menos ultrapassagens por haver menor variação no número de estratégias, as 53 voltas do GP da Rússia oferecerão um quadro mais fiel da força de cada time nesse início de campeonato. No caso de Vettel e Raikkonen não produzirem menos do possível, como em Xangai, a F1 conhecerá onde o modelo SF16-H italiano se encontra na luta com o W07 Hybrid da Mercedes. O combate tende a ser menos mascarado pela importante e saudável variável dos pneus, necessária para o espetáculo, menos presente na Rússia.

Em 2015, a Ferrari andou muito próxima da Mercedes em Sochi. Vettel largou em quarto, com supermacios usados, e na 30ª volta fez seu pit stop único. Voltou à pista com macios novos. Hamilton adotou a mesma estratégia, apenas parou duas voltas depois. No final, cruzou a linha de chegada com uma vantagem de somente 5s953. Como o modelo SF16-H deste ano é mais eficiente que o de 2015, Vettel e Raikkonen podem ratificar na Rússia a impressão deixada na China: a Ferrari pode estar mais próxima da Mercedes do que os resultados sugerem.

Outra realidade exposta em 2015 no traçado russo foi a adaptação do carro da Williams aos 5.848 metros do circuito de Sochi. Bottas largou em terceiro e até a penúltima volta mantinha-se em terceiro. Iria ao pódio não tivesse sido atropelado por Raikkonen. O piloto da Ferrari acabou punido. De quinto caiu para oitavo. Bottas não teve como seguir na corrida depois da batida.

Massa está em excelente fase, terminou as três primeiras etapas na frente de Bottas. O modelo FW38-Mercedes da Williams é mais lento que o da Mercedes, Ferrari e este ano do eficiente RB12-Tag Heuer (Renault) da RBR. Mas diante do histórico da Williams na Rússia, já que Bottas ficou em terceiro, em 2014, Massa e o finlandês podem dispor de um carro que os permita pensar em somar mais pontos que a quinta, sexta, ou sétima colocação, o limite inicial da escuderia este ano.

Chassi desequilibrado

O mesmo vale para Felipe Nasr, autor de grande desempenho em 2015, com o limitado C34-Ferrari da Sauber. Largou em 12º, já um bom resultado, com os supermacios novos, permaneceu com eles até a 34ª volta, sempre num ritmo muito bom para o seu carro, e fez a parada. Voltou com macios novos e recebeu a bandeirada em excepcional sexto lugar.

Robert Hoepoltseder, chefe de imprensa da Sauber, informou ao GloboEsporte.com, nesta segunda-feira, que a equipe suíça trabalha na construção do terceiro carro, mas não tem certeza de conclui-lo até a corrida de Sochi. Nasr, provavelmente, seguirá competindo com o mesmo chassi usado nas três primeiras provas, “desequilibrado”, segundo o piloto.

O chefe de imprensa da Sauber não diz, mas é uma realidade que todos no paddock conhecem e não representa demérito para a escuderia suíça: o término da montagem do terceiro exemplar do modelo C35-Ferrari depende de a Sauber dispor de recursos para pagar os fornecedores, o que hoje não é o caso. O primeiro treino livre do GP da Rússia começa sexta-feira às 4 horas, horário de Brasília.

Fonte:http://globoesporte.globo.com/

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