Como surgiram as marcas de carro mais famosas do mundo

Você sabe como as marcas mais famosas de carros esportivos foram criadas? Tem de tudo um pouco: engenheiros geniais que contribuíram com a indústria da guerra, dois italianos tretando e criando duas das mais conhecidas montadoras do mundo, equipes que resolveram trazer a tecnologia da Fórmula 1 para as ruas – então não deixe de conferir a primeira parte da série!

Desta vez, mostramos a história por trás da origem de empresas automotivas de grande importância para a indústria. Desde companhias italianas fundadas por franceses até a responsável por criar o primeiro automóvel movido à combustível, confira como nasceram mais cinco marcas famosas de carro:

5 – Alfa Romeo

 

A Alfa Romeo é uma das fabricantes mais tradicionais do mundo, tendo servido de incubadora para nada menos que a Scuderia Ferrari, criada no final da década de 20 por Enzo Ferrari enquanto O Comendador ainda prestava seus serviços para a divisão de competição da Alfa – que inclusive é a marca com maior número de vitórias na história do automobilismo.

Na verdade, ela foi uma das pioneiras na indústria italiana, junto com a Fiat e a Maserati. A história começou em 1906, em Milão, com a criação de uma empresa chamada Società Anonima Italiana Darraq (SAID), do francês Alexandre Darraq com o apoio de alguns investidores italianos.

As vendas não iam muito bem até que, em 1909, a companhia resolveu mudar seu nome para Anonima Lombarda Fabbrica Automobili (A.L.F.A.), contratando Giuseppe Merosi para desenhar os novos veículos da marca. É atribuída a ele a criação do 24 HP, modelo que inspirou a entrada da empresa no mundo do automobilismo. Foi com ele que nasceu também o logo que é conhecido até hoje, com o emblema da cidade de Milão e o escudo da família Visconti, com a cobra e a coroa.

Tá, e o “Romeo”, veio de onde? Bem, depois de ganhar diversas corridas com seus veículos, a ALFA foi comprada por um empresário napolitano chamado Nicola Romeo. Tudo fez mais sentido agora, certo? O problema é que isso aconteceu em 1915, período em que a Primeira Guerra já havia começado.

Nicola criou a Alfa-Romeo Milano pensando na indústria bélica: a fábrica foi convertida para produção de munições, motores aeronáuticos e outros componentes, interrompendo a construção de automóveis por quase quatro anos.

Com o fim dos conflitos, no entanto, as coisas voltaram ao normal: o empresário utilizou seus lucros para adquirir montadoras de locomotivas, retomar a produção de veículos e, é claro, investir pesado na divisão de automobilismo da Alfa Romeo – a principal vitrine para popularizar os carros da marca.

Foi em 1920 que a história da companhia cruzou com a de Enzo Ferrari, preparador e piloto, que mais tarde viria a se tornar chefe de equipe para a Alfa Romeo antes de criar sua própria montadora. A empresa acumulou diversas vitórias em eventos importantes na Europa até interromper novamente suas atividades durante a Segunda Guerra Mundial.

No período pós-guerra, a Alfa Romeo era a marca a ser batida no automobilismo, com títulos mundiais na recém-criada Fórmula 1. Fora das pistas, ela criava diversos modelos de automóveis esportivos de sucesso. A supremacia durou até o início a década de 70, quando a montadora enfrentou problemas financeiros mais uma vez e foi incorporada pelo grupo Fiat.

Depois disso, a empresa até teve participações importantes em outras competições, como o campeonato alemão de carros de turismo na década de 90, mas voltou seu foco para a produção de modelos esportivos icônicos de diferentes categorias para fora das pistas – situação que persiste até os dias de hoje.

4 – Mercedes-Benz

Se você buscar a origem da indústria automotiva, existe um nome que com certeza será encontrado nos primeiros registros: Mercedes-Benz. A montadora alemã começou sua história em 1886, quando Karl Benz criou o Motorwagen – considerado o primeiro veículo da história movido a gasolina. Em paralelo (e de forma independente), Gottlieb Daimler também adaptava motores em carroças, mas foi Benz quem conseguiu patentear a tecnologia primeiro.

Os dois fundaram suas respectivas empresas, a Benz & Cie. e a Daimler-Motoren-Gesellschaft (DMG). As empresas atuaram de forma separada durante muito tempo, mas foi o foco em Daimler que deu origem à “Mercedes”. A DMG estava fabricando veículos para um empresário austríaco chamado Emil Jellinek, que os promovia e vendia para a aristocracia local.

Jellinek começou a usar, em 1899, seus veículos para participar de competições. Ele corria sob um pseudônimo bem peculiar: Mercédès, inspirado em sua filha de dez anos. O nome acabou se tornando popular nos eventos automobilísticos da época, e o empresário resolveu promover uma parceria com Daimler para criar o modelo Daimler-Mercedes, que transformou a produção de carros no principal negócio da empresa.

Daimler morreu em 1900, ficando para Wilhelm Maybach a responsabilidade de tocar a DMG, adotando, depois de alguns anos, a estrela de três pontas – em função da produção para veículos de terra, mar e ar – usando o nome “Mercedes” como emblema, com o objetivo de criar uma identidade para a empresa.

Pelo lado de Karl Benz, ele continuou com a fabricação de motores a combustão e veículos durante o mesmo período, porém de forma mais tímida, pelo menos até a véspera da Primeira Guerra. No início do século 20, Benz também começou a investir na produção de carros de corrida, visto que o automobilismo era a melhor forma de promover seus veículos.

Com o início dos conflitos, no entanto, a Benz & Cie. e a DMG viram que apenas empresas fortes poderiam sobreviver à guerra e aos anos seguintes aos conflitos. Foi em 1926, portanto, que as marcas se juntaram para formar o grupo Daimler-Benz, detentor da marca Mercedes-Benz – uma homenagem aos primeiros carros esportivos da DMG e também à Mercédès Jellinek, filha do homem que ajudou a empresa a crescer.

Após a fusão e no período entreguerras, a montadora passou a produzir motores e automóveis em grande escala. Um dos modelos mais populares, o Mercedes-Benz 770, foi utilizado por boa parte dos membros do partido nazista durante a década de 30. Foi nesse período também que a marca se tornou uma grande força no automobilismo, com seus carros – batizados de “flechas de prata” – disputando com os italianos a liderança de eventos importantes na Europa.

A companhia teve grande participação na produção bélica durante a Segunda Guerra, fabricando motores para aviões, tanques e submarinos, além de armas para o exército. Depois do fim dos conflitos, a empresa passou a se dedicar à produção de carros e ao desenvolvimento de novas tecnologias através da participação em eventos de automobilismo, solidificando sua posição como uma das marcas mais importantes na história da indústria automotiva e das competições.

3 – BMW

Se a história da Mercedes-Benz está intimamente relacionada com a gênese dos automóveis, com a BMW a história é um pouquinho diferente. Isso porque a montadora de carros nasceu, na verdade, da fusão de três empresas diferentes – todas tendo em comum os nomes extremamente complicados de falar – que, via de regra, não tinham foco em produzir apenas carros.

Uma dessas companhias era a Rapp Motorenwerke, uma montadora de motores aeronáuticos criada em 1913 que se tornou uma das grandes representantes da indústria de aviões de guerra ao lado da Daimler e Benz. Três anos depois de sua criação, a Rapp mudou seu nome para Bayerische Motoren Werke GmbH – foi aí que o acrônimo BMW nasceu. O logo da empresa também teve sua origem inspirada nas aeronaves, já que simboliza as hélices de um motor girando.

 

O fim da guerra trouxe uma crise enorme para o setor, forçando a BMW a produzir itens diversificados, como freios e outras peças de manufatura em alumínio. Ao se juntar com outra empresa alemã, a Bayerische Flugzeugwerke (BFw), o negócio de motores voltou a ser o foco. Junto disso, a empresa passou a fabricar motocicletas – que já faziam parte da BFw e contavam com motores BMW.

A produção de motos e bicicletas motorizadas foi, junto com a retomada dos motores aeronáuticos, uma das principais responsáveis pelo crescimento da BMW na Alemanha, principalmente quando a Segunda Guerra explodiu na Europa – a empresa foi uma das maiores fornecedoras desses itens para o exército alemão.

Os carros da marca, no entanto, só foram aparecer na década de 30, quando a empresa adquiriu a licença de produção de uma fabricante de automóveis que originalmente se chamava Fahrzeugfabrik Eisenach, mas acabou mudando seu nome para Dixi antes de ser absorvida pela BMW.

No período que sucedeu a Segunda Guerra, a companhia enfrentou uma segunda crise: as fábricas haviam sido destruídas pelos bombardeios e as plantas que produziam motores para os aviões foram confiscadas pelos aliados. Restou à BMW fabricar outros produtos, como potes, panelas, utensílios de cozinha e bicicletas. Em 1947, a empresa foi autorizada a produzir motocicletas e carros novamente.

A empresa começou a fabricar carros de outras empresas sob licença, com o modelo Isetta se tornando extremamente popular e ajudando a BMW a mudar seu foco para as quatro rodas. A parte curiosa é que ela enfrentou uma nova crise no fim da década de 50 e quase foi incorporada pela Mercedes-Benz!

A BMW acabou se recuperando e se tornou uma das referências em carros esportivos e de luxo na Alemanha, sendo conhecida pela clara segmentação na produção de seus veículos em séries. Ela, assim como a Mercedes, é uma das poucas empresas que não faz parte dos grandes conglomerados automotivos, como o formado pela Volkswagen.

2 – Pagani

A Pagani é a empresa mais recente de todas as que passaram por aqui: foi fundada em 1992 pelo argentino Horacio Pagani, que trabalhou junto com a Lamborghini na parte de pesquisa de compostos e desenhos para os carros da marca. Em 1991 ele criou a Modena Design para atender à crescente demanda por seus serviços.

Por ser argentino, Horacio era um grande amigo de seu conterrâneo e lendário piloto pentacampeão da Fórmula 1, Juan Manuel Fangio. Foi em homenagem a ele, inclusive, que Pagani batizou seu primeiro protótipo: “Fangio F1”.

Com a morte do ex-piloto em 95, o nome do veículo foi alterado para Zonda C12 – inspirado na corrente de ar que passa pela Argentina –, apresentado pela primeira vez em 1999 – quando a Pagani Automobili S.p.A. se sedimentou como uma das novas protagonistas do mercado mundial de superesportivos.

Um dos pontos importantes do surgimento da nova empresa foi a parceria com a Mercedes-Benz, que fornece os motores V12 que impulsionam os carros da marca até hoje. Cheio de ambição, Horacio criou o Zonda R, modelo que detém o recorde absoluto na pista de Nürburgring Nordschleife – superando a Ferrari.

Diversas versões da linha Zonda foram lançadas em 12 anos, sendo substituídas pelo último modelo lançado pela Pagani: o Huayra.

1 – Aston Martin

A história de uma das maiores fabricantes britânicas de automóveis é muito parecida com a das grandes montadoras italianas. Fundada em 1913 pelos engenheiros ingleses Lionel Martin e Robert Bamford como “Bamford & Martin LTD”, a empresa começou vendendo carros da Singer antes da primeira Guerra.

Entusiasta de corrida, Martin venceu, em 1914, a corrida “Aston Hill Climb”, o que inspirou a criação do primeiro carro, batizado de “Aston Martin”, produzido em 1915. Na Primeira Guerra, tanto Lionel quanto Robert se alistaram – com isso, a Aston Martin entrou em hiato.

No período entreguerras, a empresa faliu diversas vezes. Bamford saiu dos negócios primeiros, seguido por Lionel. Um grupo de investidores adquiriu a Bamford & Martin e mudou seu nome para Aston Martin Motors.

Com a crescente participação da marca em competições automobilísticas, com resultados relativamente expressivos, as vendas melhoraram significativamente até a véspera da Segunda Guerra – quando o foco mudou de carros para componentes de motores aeronáuticos.

Em 1947, um empresário chamado David Brown, do ramo de tratores, assumiu a empresa. Ele é conhecido como o “salvador pós-guerra” e foi em sua homenagem que foi criada a emblemática série DB da marca. Foi nessa época também que a Aston Martin ganhou definitivamente seu “pedigree” nas pistas, com vitórias em eventos importantes, como as 24 Horas de Le Mans.

Fora dos circuitos, na década de 60, a empresa viu seu nome ganhar o mundo: o DB5, considerado um dos carros mais bonitos da história, foi escolhido como o “Bond car”, ou seja, o veículo utilizado pelo agente secreto James Bond, no filme “Goldfinger”, de 1964 – ele apareceu ainda em filmes recentes, como “Skyfall”.

Desde então a empresa enfrentou diversas crises financeiras e passou pela mão de várias empresas – David Brown encerrou sua participação em 1972 –, chegando a abrir mão de sua divisão de competições, mas sempre sobrevivendo. Hoje ela é dividida entre diversos grupos de investidores – um deles sendo a Daimler-Mercedes.

Neste ano, a Aston Martin emplacou mais um “Bond car” com o protótipo DB10 aparecendo no último filme do Agente 007, “Spectre”.

Fonte:http://www.megacurioso.com.br/

 

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