DESPOLUIR O RIO TIETÊ É TAREFA DE TODOS; LIMPAR O BRASIL TAMBÉM

No dia de Natal, caiu uma forte chuva na região metropolitana de São Paulo. Trechos da via Dutra e da avenida Educador Paulo Freire ficaram alagados, impedindo a passagem de veículos e causando inúmeros transtornos.

A cena chamou-me a atenção, parei em um recuo da Marginal e fotografei. Carregados pela chuva, concentram-se nas águas do rio Tietê os resíduos que estavam nas ruas, nas beiras de estrada, nos pontos de ônibus e que ali foram jogados pelo mesmo povo que sofre as consequências desse ato nocivo.

Essa sujeira toda nas águas do mais paulista dos nossos rios mostra o quanto nosso povo ainda precisa aprender para evoluir, para conscientizar-se de que cada gesto de agressão à natureza volta para o ser humano com igual ou superior dano.

Cada pessoa que joga um papel, uma garrafa, um pneu ou uma bituca de cigarro na rua não se dá conta de que o que parece ser um gesto inofensivo, que não fará nenhuma diferença, irá somar-se a muitos outros gestos semelhantes e resultar em uma catástrofe ambiental.

Ficamos todos chocados com a tragédia de Mariana (MG), com os tantos quilômetros do rio Doce que ficaram poluídos com aquela lama sinistra. Chamamos de tragédia porque não dá para chamar aquele crime de acidente, pelo qual espero que os culpados sejam punidos.

Porém, todos os dias a população ordeira e trabalhadora deste país polui centenas de quilômetros dos nossos córregos e rios, a partir de pequenos e aparentemente inofensivos gestos.

O leitor/internauta pode retrucar, dizendo que os políticos dão mau exemplo, os governantes não cuidam corretamente dos recursos públicos, não investem em saneamento básico, desviam recursos da educação e da saúde em mutretas, picaretagem, propinas…

 

O que acontece nas urnas é a mesma coisa que acontece com o pobre rio Tietê. Cada eleitor tem só seu voto, acha que senso apenas seu voto fará pouca diferença. Aí, vota no palhaço, vota no apresentador de TV que se faz passar por defensor do povo, vota no jogador de futebol, vota em quem lhe arrumou um emprego, ou quem patrocinou o time de várzea, pagou o churrasco da comunidade, ou, dissimuladamente, comprou o voto do eleitor com o suposto “trabalho” na boca de urna.

Do mesmo jeito que cada garrafa pet e cada papel de bala deixa o Tietê imundo desse jeito, o voto que o eleitor coloca sem critério na urna entope de lixo as câmaras municipais, as assembleias legislativas e o Congresso Nacional, bem como as sedes do Poder Executivo nas cidades, estados e em Brasília.

O Brasil se transformará em uma verdadeira Nação quando os brasileiros tomarem consciência de que o país que temos é resultado das atitudes de cada um. Se não queremos enchentes, se queremos rios limpos, navegáveis, não devemos jogar lixo nas ruas. Se não queremos ser governados e representados por lixos humanos, não devemos e não podemos votar como se a urna fosse uma lixeira.

Valdir Carleto

Fonte:http://www.clickguarulhos.com.br/

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