Dólar opera em queda nesta sexta

O dólar opera em queda nesta sexta-feira (29), reagindo ao corte de juros no Japão e ao leilão de venda de dólares com compromisso de recompra anunciado pelo Banco Central para esta tarde, mas investidores continuavam apreensivos em relação à política econômica do governo brasileiro.

Às 10h29, a moeda norte-americana caía 0,36%, vendida a R$ 4,065.

Acompanhe a cotação ao longo do dia:
Às 9h09, queda de 0,51%, a R$ 4,059.
Às 9h39, alta de 0,19%, a R$ 4,0881.
Às 10h10, queda de 0,18%, a R$ 4,0725.

Nos mercados externos, moedas emergentes reagiam positivamente à surpreendente decisão do banco central japonês de adotar juros negativos. A medida reduz o custo de operações conhecidas como “carry trade”, quando operadores captam recursos no exterior e os reinvestem em ativos que pagam juros altos.

“A decisão do BC do Japão está ajudando os ativos emergentes em geral, o que se traduz em algum suporte ao real”, disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, citando também o avanço dos preços do petróleo à agência Reuters.

No cenário local, o BC brasileiro anunciou após o fechamento da sessão passada leilão de linha de até US$ 1,8 bilhão para esta tarde. A operação tem como fim a rolagem de contratos que vencem em fevereiro, segundo a assessoria do BC.

Os leilões de linha são utilizados em momentos de baixa liquidez (falta de dólares) no mercado de câmbio. Quando o dólar registra altas, o BC realiza ofertas de leilões de linha para atenuar as pressões sobre o câmbio.

Mesmo assim, operadores continuavam apreensivos com o cenário local, especialmente após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) alimentar apostas de que os juros básicos podem não subir neste ano. A moeda norte-americana chegou a subir nesta manhã, atingindo R$ 4,0965 na máxima da sessão.

O J.P.Morgan elevou sua previsão para o câmbio e passou a estimar que o dólar atingirá R$ 4,70 no fim de 2016, argumentando que a manutenção da Selic levou à desancoragem das expectativas de inflação.

As medidas de estímulo ao crédito anunciadas na véspera somando R$ 83 bilhões também eram motivo de cautela. O anúncio vem em um momento de inflação de dois dígitos apesar da profunda recessão econômica.

A consultoria de risco político Eurasia Group apontou que o anúncio aponta alguma incoerência, sugerindo que “a política econômica será cada vez mais errática conforme a presidente tenta equilibrar a necessidade de aplacar a base aliada… e a necessidade de ajuste fiscal”, ecreveram em relatório.

Analistas do BBVA salientaram que, embora a medida não tenha impacto fiscal imediato, pode afetar os resultados dos bancos públicos no futuro e, consequentemente, as contas públicas.

Na véspera, o dólar caiu 0,14%, vendido a R$ 4,08, após atingir R$ 4,0341 na mínima do dia e R$ 4,1237 na máxima do dia.

No ano e no mês, o dólar já acumula alta de 3,34%. Na semana há queda de 0,74%.

Fonte:http://g1.globo.com/

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