Escândalo da Petrobras ‘engoliu 2,5% da economia em 2015′

Não fosse o impacto da operação Lava Jato, a recessão brasileira seria bem menor, segundo Alessandra Ribeiro, economista da Consultoria Tendências.

Pelos cálculos da consultoria, a Lava Jato deve ter um impacto negativo de 2,5 pontos percentuais no PIB deste ano.

Por enquanto, a estimativa da consultoria é de uma retração na economia brasileira de 3,2% em 2015, embora o número deva ser revisado para uma queda ainda mais brusca em função dos resultados do PIB do terceiro trimestre, divulgados na manhã da última terça-feira pelo IBGE – e piores do que o esperado.

Descontados os efeitos econômicos atribuídos às investigações, a queda do PIB seria, portanto, de algo em torno de 0,7% e 1,3% (dependendo da revisão).

“A Lava Jato paralisou setores que têm um peso grande nos investimentos totais da economia, então é natural que tenha um impacto negativo expressivo no PIB no curto prazo”, explica Ribeiro.

“O lado positivo dessa história é que as instituições estão funcionando e o risco de os corruptos serem pegos está aumentando – o que tende a limitar a corrupção no longo prazo.”

Outra consultoria, a GO Associados, também estima um efeito da Lava Jato no PIB da mesma magnitude. Segundo seu levantamento, os impactos diretos e indiretos da operação poderiam ser de R$ 142,6 bilhões em 2015 – algo em torno de 2,5% do PIB.

“Trata-se de um cenário relativamente pessimista, mas que reflete o peso dessas empresas e setores para a economia”, diz Fernando Marcato, sócio da GO Associados.

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Petrobras e construtoras

Pelos cálculos da Tendências, os investimentos da Petrobras corresponderiam a 2% do PIB brasileiro e os aportes de grandes construtoras envolvidas no escândalo em obras de infraestrutura, 2,8%.

Em seu conjunto, portanto, os investimentos de todas as empresas envolvidas na Lava Jato chegariam a quase 5% do PIB, em um país em que o nível total dos investimentos varia de 17% a 20%.

Em função da Lava Jato, construtoras como a Odebrecht e a Camargo Correa, além da própria Petrobras, revisaram seus planos de investimentos, fizeram mudanças em sua estrutura organizacional ou em contratos com fornecedores e parceiros.

Só a Petrobras reduziu em mais de 30% o volume de investimentos previstos entre 2015 e 2019, por exemplo. E muitas empresas do setor de óleo e gás ou construção civil realizaram demissões.

A operação também teria elevado os risco derivados da maior dificuldade de financiamento das empresas, que podem não conseguir “fazer frente a suas obrigações”, segundo a Tendências.

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