Famílias brasileiras reduzem endividamento, mostra pesquisa

Agência O Globo

Os brasileiros estão apertando os cintos para equilibrar as contas neste fim de ano. O percentual de famílias endividadas caiu para 61% em novembro, ante 62,1% em outubro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Encolheu também a fatia de famílias com contas ou dívidas em atraso, de 23,1% para 22,7%, primeira queda desde fevereiro. Os resultados, porém, estão acima dos de novembro de 2015. O quadro é o mesmo com o grupo que diz não ter condições de pagar contas atrasadas. Representa 8,5% das famílias, contra 5,5% um ano atrás. O percentual, porém, fica estável em relação a outubro.

— É uma perspectiva favorável em face ao cenário adverso que temos observado na economia, apesar da alta na comparação com 2014 — explica Marianne Hanson, economista da CNC. — O cenário não é pior porque houve redução do endividamento ao longo de 2014. Este ano, o recuo vem sendo freado pelo aumento do custo de vida e a queda da renda. As famílias não veem sinal de melhora. Estão preocupadas.

Há um efeito sazonal, que leva à redução de dívidas, continua Marianne. As pessoas usam o décimo terceiro salário para quitar contas em atraso e pagar débitos. É o esforço para comprar no Natal, iniciar o novo ano com o nome limpo e arcar com as despesas extras do primeiro trimestre, diz ela:

— Vemos esta preocupação este ano, mas não tão forte como em 2014. O aumento da inflação e do desemprego, o crédito mais caro e a queda na renda dificultaram essa quitação de dívidas.

O cartão de crédito foi apontado por 78,4% das famílias como o principal tipo de dívida, ante 74,7% mês passado. A fatia de famílias endividadas passou de 59,2% em janeiro a 63,5% em setembro. A redução teve início em outubro, chegando a 61% este mês, acima dos 59,2% de novembro de 2014. Na inadimplência, são 22,7% das famílias com contas atrasadas, contra 18% um ano atrás.

— Os índices menores são positivos por mostrar que as pessoas estão cautelosas. Por outro lado, se não há disposição para contratar dívida, a tendência de queda no consumo vai persistir — alerta Antônio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP.

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