Filosofia e fé transitam em exposição no Adamastor

Instalação - Papeis heliográficos e carbono são utilizados (Foto: Fábio Nunes Teixeira / PMG)

Da Redação – Pecado, perdão, luz. Esta tríade está presente na mostra Estudos para Ver, da artista plástica Fabiola Chiminazzo, em cartaz no Centro Municipal de Educação Adamastor. Gratuita, a exposição pode ser vista até dia 23 de agosto.

Premiada em 1º lugar no Salão de Artes Visuais de Guarulhos, Fabiola traz à cidade trabalhos que transitam pela fé e filosofia, fazendo com que o espectador possa refletir sobre o cotidiano, suas crenças e todo o conteúdo carregado na alma.

Papel heliográfico, utilizado para desenhos técnicos, e papel carbono com escritos batidos à máquina de escrever são vistos na exposição, com desenhos, muitas vezes associados a imagens sacras.

“Fabiola utiliza técnicas que caíram em desuso, como a datilografia, a mimeografia e a heliografia; trabalha com estas matrizes, como se usasse uma matriz de gravura. Ela traz um ‘fazer’ que está na memória de muitos, mas que outros, mais jovens, não conheceram”, comenta a gerente-administrativo, responsável pela seção de Artes Visuais da Secretaria Municipal de Cultura, Maria do Rosário Ferreira de Souza.

 

Perturbe­-se ou perdoe-­se

A instalação Setenta vezes Sete, que é a mais emblemática da mostra, evoca a passagem bíblica na qual o apóstolo Pedro pergunta a Jesus se deveria perdoar o irmão até sete vezes. Cristo responde com a frase que leva o nome da instalação.

Caixas de papelão, tipo arquivo­morto, trazem grafados em latim os sete pecados capitais. Sete lâmpadas iluminam, propositalmente, as 490 caixas (resultado de 70×7) como se pusessem luz aos pensamentos: mais que perdoar o outro é necessário perdoar a si mesmo.

Enquanto observa, o espectador também se surpreende com um áudio, em vozes feminina e masculina, saindo do meio das caixas. São versos inspirados em Sobre os Enganos do Mundo, do filósofo Sêneca.

Foto: Fábio Nunes Teixeira / PMG

Sobre a artista

Nascida em Curitiba, Fabiola Chiminazzo é formada em Comunicação Visual. Suas pesquisas transitam pela fotografia, gravura, desenho, instalações, objetos e vídeo. Baseia seus trabalhos em conceitos que discutem as ações cotidianas, os objetos comuns, bem como os mecanismos burocráticos em que vivemos. Vive e trabalha em Itu, São Paulo.

 

Fonte: Folha Metropolitana

Share This: