Grupos marcham ao Congresso para acompanhar votação do impeachment

Manifestantes a favor da presidente Dilma Rousseff marcharam na noite desta segunda-feira (11) até a Alameda dos Estados – policiais do Batalhão de Choque impediram o acesso ao Congresso Nacional – em ato contra o processo que analisa o afastamento da petista. O protesto aconteceu instantes antes de os deputados da comissão do impeachment começarem a votar o parecer sobre o processo. Os parlamentares aprovaram o relatório, por 38 votos a 27.

O grupo estava concentrado no Teatro Nacional, a cerca de cinco quilômetros. Eles fecharam duas faixas na descida em direção ao Congresso. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 900 pessoas participavam do ato às 19h50. Eles portavam faixas com dizeres como “mexeu com Lula, mexeu comigo” e gritavam “não vai ter golpe”.

O agricultor gaúcho João Ribeiro se disse surpreso com o resultado da comissão. “Tenho certeza que ela permanece no poder. Defendo o governo dela. Se não defendesse, não estaria aqui.”

A dona de casa Cristiana Pereira lamentou a decisão da comissão. “Agora só no domingo para saber”, disse a mulher que chegou do interior de São Paulo no domingo e pretende ficar em Brasília até depois da votação.

Outro grupo, com cerca de 120 pessoas pró-impeachment, também se dirigiu ao local. Elas carregavam bandeiras do Brasil e um caixão com o nome da presidente. “Quando eles gritarem, do lado de lá, que não vai ter golpe, nós vamos gritar que vai ter impeachment”, diziam.

Os manifestantes estavam separados pelo alambrado, mas ainda assim trocavam ofensas. Muitos motoristas que desciam a via S1 buzinavam em apoio aos movimentos pró-impeachment. Os militantes partiram do Parque Ana Lídia, no Parque da Cidade, a cinco quilômetros de distância.

A Polícia Militar prendeu um homem com R$ 16 mil em uma mochila por volta das 20h. Ele foi levado para a 5ª DP, na Asa Norte, e liberado depois de prestar depoimento.

A PM havia informado que o homem era ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o que a entidade negou em nota de repúdio.

Esquema de segurança
O governo do Distrito Federal anunciou no sábado o esquema de segurança para a semana de votação do impeachment. Balões aéreos de identificação dos movimentos e bonecos considerados ofensivos e provocativos, independentemente do tamanho, estão proibidos. A secretária de Segurança Pública, Márcia de Alencar, informou que a Força Nacional ajudará a evitar conflitos entre os grupos.

Os grupos pró e contra ficarão em pontos diferentes, separados por um corredor de 80 metros de largura por um quilômetro de comprimento, extensão que vai da Catedral ao Congresso Nacional. A passagem será de trânsito exclusivo das forças de segurança e será guarnecido por policiais militares encarregados de impedir que um grupo invada o espaço reservado ao outro.

Os manifestantes a favor do impeachment ficarão em um ponto de concentração próximo à Catedral Metropolitana (do lado do Eixo Monumental que fica no sentido do Congresso) e, por isso, só podem estacionar na Asa Sul. Os contrários ficarão perto do Teatro Nacional (do lado do Eixo Monumental no sentido contrário ao Congresso) e só podem estacionar na Asa Norte. Policiais militares “filtrarão” os manifestantes a partir do dia 15, indicando para onde devem se direcionar.

“Balões aéreos, de identificação dos movimentos, e bonecos e/ou símbolos provocativos ou ofensivos estão proibidos, independente do tamanho”, disse a secretária, Márcia de Alencar. Usados nos últimos protestos, patos infláveis e pixulecos também constam na lista de itens proibidos.

Equipes das polícias Civil, Militar e Legislativa, Força Nacional, Corpo de Bombeiros e Detran atuarão na “Operação Esplanada” no período. O efetivo combinado pode chegar a 4.750.

“Nós vamos reforçar a proteção ao patrimônio, com policiais destacados para proteger o Palácio do Planalto, o Ministério das Justiça, o Ministério das Relações Exteriores [Palácio do Itamaraty], o Supremo Tribunal Federal. O Congresso [Nacional] quem vai proteger é a Polícia Legislativa”, declarou a secretária.

Acampamentos
Movimentos sociais contrários ao impeachment chegaram ao Teatro Nacional ainda no domingo em 20 ônibus. As caravanas são equipadas com barracas e comida. O grupo estendeu faixas de apoio à presidente Dilma Rousseff, com a mensagem “vai ter luta, não vai ter golpe”.

Os representantes não quiseram dar entrevista. O GDF informou que tenta transferi-los para o estacionamento do ginásio Nilson Nelson, já que acampamentos na Esplanada estão proibidos.

Militantes que querem a saída da presidente montaram estruturas no Parque Ana Lídia, no Parque da Cidade. Até a manhã desta segunda, o acampamento reunia 25 pessoas. Elas dizem que receberam doações para se manter no lugar.

Um dos organizadores, o professor Allan dos Santos diz ter se demitido de uma escola no Rio Grande do Sul para vir ao protesto. “Estamos aqui para tirar a presidente Dilma do poder, tendo em vista que a corrupção é apenas um instrumento que eles usam para instalar o comunismo no país”, disse. A expectativa do grupo é reunir milhares de pessoas no acompanhamento até a próxima sexta (15).

Fonte:http://g1.globo.com/

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