Honda XRE 190: primeiras impressões

A Honda XRE 190 acaba de ser lançada no Brasil por R$ 13.300, em versão única, com freio ABS de série na roda dianteira. O modelo foi criado para se encaixar entre a Bros 160 e a XRE 300, motos trail de baixa cilindrada da fabricante, trazendo um projeto que a fabricante diz ter feito do zero.

Principal lançamento da marca em 2016, em volume, com expectativa de vender 32 mil unidades no período de 12 meses, a XRE 190 começa a ser vendida no próximo dia 1º.

Como a proposta para a moto é ser um modelo versátil para a cidade, mas com possibilidade de rodar em trechos off-road, o G1 avaliou a XRE 190 na terra e no asfalto (assista ao vídeo no início da reportagem).

Como um “SUV de duas rodas”, a XRE 190 é mais alta que modelos totalmente para a cidade como a CG, mas também carrega detalhes mais urbanos do que uma Bros ou Yamaha XTZ, por exemplo, que são trails tradicionais. Em motos de maior cilindrada, a ideia de modelos crossover já está mais presente, como na Honda CB 500X ou Kawasaki Versys.

Na baixa cilindrada, o modelo que mais se aproxima da XRE 190 é a Yamaha Crosser 160. Mas a estratégia da Honda foi manter a Bros 160 como concorrente direta da Crosser e investir em uma faixa de cilindrada que estava sem representantes no mercado brasileiro.

concorrentesxre190
Motor
O motor de 1 cilindro e 184,4 cc da XRE 190 foi feito do zero, diz a fabricante. Ele rende 16,4 cavalos de potência máxima e 1,66 kgfm de torque. Aparentemente, não é tanto a mais que a Bros 160, com seus 14,6 cv e 1,47 kgf, mas, na prática, é. O fôlego que parecia faltar na Bros 160 está lá e chega com linearidade.

As arrancadas são “espertinhas” e a força faz diferença também na terra, para tracionar em pisos menos aderentes. Mas não espere por algo empolgante, porque a Honda mesmo diz que o foco do motor é o baixo consumo.

Apesar de a marca não divulgar dados de consumo, o painel digital mostrou no computador de bordo números acima dos 30 km/l, e vale mencionar que o teste foi feito em situações extremas, com acelerações desproporcionais comparadas às que ocorrem na cidade.

Um ponto que desagradou foi a vibração transmitida pelo motor. Mesmo dentro da média do que se vê no segmento, incomoda com o passar do tempo.

ABS de série, mas só na dianteira
Até o lançamento da XRE 190, apenas o scooter Yamaha NMax vinha com ABS de série – nas duas rodas – em cilindradas inferiores a 250 cc. A novidade para o modelo da Honda é que ele está apenas na roda dianteira.

De acordo com a empresa, o sistema de frenagem combinada, presente na CG 160, não se adaptaria à XRE 190 por sua configuração trail, com rodas maiores e suspensões mais longas. Além disso, um sistema como da XRE 300, com ABS e frenagem combinada nas duas rodas, ficaria caro demais.

A solução foi buscar um meio-termo, com o ABS de 1 canal apenas, destinado à roda da frente. A fabricante afirma que esta seria uma solução mais acessível e sem afetar a segurança.

Durante a avaliação, foi possível notar que o sistema evita o travamento da roda dianteira e estabiliza o conjunto, mas em frenagens mais fortes, a traseira tende a derrapar. Mesmo na terra, a dianteira só perde o controle quando se abusa, ao frear fortemente em uma curva, por exemplo.

A marca afirma que o ABS de 1 canal já estaria de acordo com a legislação que vai exigir, até 2019, que todas motos novas tenham ABS ou CBS de série, dependendo da cilindrada.

Serve para a cidade?
A avaliação da Honda XRE 190 foi feita em circuito de asfalto fechado, pista de terra e também um pequeno deslocamento em estrada sem pavimento. Apesar das suspensões longas, de 180 mm de curso, na dianteira, e 150 mm, na traseira, a moto mostrou estabilidade, mesmo em curvas mais rápidas no asfalto.

Nem mesmo a roda dianteira de 19 polegadas e pneu mais fino que de um modelo 100% urbano atrapalharam.

Não havia local que simulasse o piso de uma cidade, assim, a capacidade de absorver impactos das suspensões foi colocada à prova no off-road. A moto supera com facilidade as depressões e, por muitas vezes, deixa o motociclista sem ser afetado pela “buraqueira”, o que já é bom para a terra e deve ser ainda melhor na cidade.

Mas não vale exagerar. Não se trata de uma moto de cross e o seu para-lama baixo mostra isso, assim como ocorre na Yamaha Crosser. Ele fica bem próximo ao pneu, o que limita para um off-road mais extremo. A Bros 160, por exemplo, tem o para-lama dianteiro mais alto, deixando claro que tem mais vocação para o off-road.

Conclusão
Pelo preço, a XRE 190 deve atrair consumidores tanto de uma faixa de preço inferior, como usuários de Bros 160 e Crosser, além das Yamaha XTZ 250 Lander (R$ 14.590) e Ténéré 250 (R$ 15.490) . A vantagem da XRE 190 é de ser a única entre os modelo trail de até 250 cc a ter freios ABS. Somente a XRE 300, de maior cilindrada, tem ABS e como opcional, fazendo o preço ficar bem mais alto – R$ 17.750.

Mesmo com o sistema de segurança, a XRE 190 pode sofrer com a concorrência das Yamaha 250, que são modelos com rendimento superior e por um preço similar. Outra diferença da XRE 190, em relação às rivais, é que ela tem 3 anos de garantia. As cores de venda da XRE 190 são vermelho, verde e preto.

Fonte:http://g1.globo.com/

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