Inflação alta? 12 dicas para não estourar o orçamento do mês (e até poupar)

Conta de luz, gás, gasolina, cebola, carne. Os preços estão em alta, e a inflação acumulada em 12 meses tem rondado perto de 10%. Nesse cenário, como fazer para esticar o salário até o fim do mês e, quem sabe, conseguir guardar um pouco para o futuro?

O UOL ouviu três especialistas no assunto: o economista Samy Dana, professor da FGV-SP, o educador financeiro André Massaro e o planejador financeiro Janser Rojo.

Veja abaixo 12 dicas para reorganizar o orçamento da família e sobreviver à crise.

1) Exterminar as dívidas

Dívidas têm juros, um custo alto e que cresce rápido. Por isso, quem está endividado deve resolver isso em primeiro lugar. “A recomendação é não fazer nada antes de cuidar das dívidas: não se investe dinheiro, não se fazem novas dívidas. Quem está endividado não tem como fazer reserva de emergência; nada de se endividar preventivamente”, diz André Massaro. Nessa situação, é preciso ser rigoroso. “Corte na carne mesmo”, diz.

2) Acabar com o tabu e ter conversas francas

Para quem não vive sozinho, como casais e famílias, Janser Rojo diz que é preciso conversar sobre o orçamento familiar de forma aberta e transparente, sem manter segredos. “Ainda é um tabu falar sobre dinheiro. Os pais escondem dos filhos o quanto ganham. Muitas vezes, num casal, um não sabe qual é o salário do outro”, diz. “É importante ter transparência e lutar juntos pelos objetivos.”

3) Eleger um líder e envolver todos

“Num casal ou entre pais e filhos, em geral, um é mais organizado. É uma tendência natural”, diz Rojo. É possível eleger essa pessoa como líder do orçamento na casa, diz ele. Os outros, porém, precisam concordar e participar. “Se a mulher da casa é a líder, por exemplo, ela depende de que todos os membros da família tenham disciplina para guardar e lhe entregar as notas fiscais, os canhotos de gastos e assim por diante.”

4) Definir objetivos e prioridades

É preciso que a pessoa, o casal ou a família definam quais são seus objetivos de curto, médio e longo prazo. Por exemplo: no curto prazo, fazer uma viagem de férias; no médio prazo, trocar de carro; no longo prazo, pagar a faculdade dos filhos ou se aposentar com uma boa qualidade de vida. Isso ajuda a unir as pessoas em busca de objetivos comuns e motivá-las.

“Decidir o que é prioridade ajuda a manter o foco e evitar desperdícios”, diz Rojo. “Não adianta comprar um presente hoje para agradar o filho e no mês que vem descobrir que não tem como pagar a mensalidade do colégio”, diz Massaro.

5) Fazer escolhas

A vida financeira envolve escolhas e renúncias, segundo Samy Dana. “É quase impossível uma pessoa ter tudo o que deseja, por uma questão de dinheiro e de tempo também”, diz. A partir do momento em que os objetivos e prioridades estão claros, é possível definir do que se pode abrir mão.

Essa escolha depende de cada caso. “É preciso que cada um saiba o que lhe dá mais felicidade para conseguir escolher onde cortar despesas”, diz Dana. Por exemplo: uma pessoa que adora viajar pode deixar de ir para a praia em todos os fins de semana para ir ao exterior no fim do ano. Já uma pessoa que tem grande satisfação com o cafezinho ou o doce fora de casa pode considerar indispensável manter esse “pequeno mimo”.

6) Revisar contratos

Antes de contratar um serviço, o consumidor, em geral, faz uma pesquisa para ver qual o melhor custo-benefício para seu caso, mas depois ele esquece disso. “O que você contratou inicialmente pode não ser bom depois de dez meses”, diz Dana. Alguns exemplos são os planos de telefonia, celular, TV a cabo ou internet, além de tarifa de banco e anuidade do cartão de crédito. Portanto, de tempos em tempos é preciso rever esses contratos. “Quanto mais fiel você é ao seu prestador de serviço, mais você perde dinheiro.”

7) Mudar hábitos de consumo

Nos últimos anos, o brasileiro assumiu péssimos hábitos de consumo, segundo Massaro, com compras impulsivas, sem fazer contas, como um consumidor imaturo e deslumbrado. É hora de mudar, diz ele. “Temos que ser mais críticos no nosso consumo. Sempre se perguntar se realmente aquilo é necessário, não tomar decisões de compra dentro de um estabelecimento comercial, domar nosso impulso consumista, raciocinar criticamente antes de tirar o cartão do bolso”, diz.

8) Colocar as despesas na ponta do lápis

Antes de decidir onde cortar, é preciso saber para onde o dinheiro está indo. É importante colocar tudo no papel, literalmente, para conseguir enxergar e raciocinar melhor. “De memória, a gente costuma se perder um pouco”, diz Massaro.

Há diversas formas de fazer isso: manter um papel preso na geladeira onde todos anotam os gastos, deixar um caderninho em cima da mesa, baixar um aplicativo no celular, usar sites ou planilha no Excel, por exemplo. Os controles financeiros podem ser feitos uma vez por mês, quando cai o salário, por exemplo. Já o controle de gastos deve ser feito diariamente, anotando as despesas no dia, e consolidando quando chega o salário.

9) Classificar as despesas

Os especialistas recomendam classificar as despesas em diferentes categorias. Os nomes variam, mas a ideia geral é a mesma.

  • Básico ou necessidades: são custos fixos de sobrevivência nos quais não dá para mexer. Exemplos: moradia, alimentação, escola, plano de saúde, remédios.
  • Conforto: são gastos importantes para a qualidade de vida, mas podem ser reduzidos ou suspensos se necessário. Por exemplo, uma família com dois carros pode ficar com um só ou nenhum e usar transporte público. “São coisas mais difíceis de cortar, porque isso gera um impacto maior no estilo de vida ao qual a família está acostumada”, diz Rojo. “Pode ser uma solução temporária”.
  • Luxo ou supérfluo: são custos esporádicos, em geral coisas que dão um pouco de prazer na vida. Exemplos: comprar roupas ou livros, ir ao cinema, jantar fora. “Dói um pouco, mas não é uma coisa necessária à sobrevivência”, diz Massaro.
  • Desperdício: pode ser cortado sem nenhum impacto na qualidade de vida. “Simplesmente dinheiro jogado fora”, segundo Massaro. Por exemplo: matrícula na academia para quem não usa ou TV a cabo com vários canais para quem só vê TV aberta.

10) Não comprometer demais o salário

Samy Dana recomenda comprometer, no máximo, metade da renda líquida familiar (aquilo que cai livre na conta bancária) com os custos básicos de sobrevivência. Outros 30% podem ser destinados a custos esporádicos, de lazer, e 20% devem ser poupados.

Para alguém que ganha R$ 5.000, por exemplo, o ideal é limitar os custos fixos a R$ 2.500, usar entre R$ 1.000 e R$ 1.500 com lazer e outros gastos esporádicos e poupar o restante, segundo Dana.

11) Avaliar o desempenho e estipular metas

Ao final de cada mês, é importante analisar o que aconteceu e fazer perguntas como: a família está no caminho certo para atingir seus objetivos? Que atitudes podem ser mudadas? Para o mês seguinte, é possível estipular metas objetivas e realistas: gastar X de supermercado, Y com lazer, Z comendo fora. “A meta tem que ser factível, se não, gera frustração”, diz Rojo.

12) Revisar o orçamento

De tempos em tempos, é importante fazer uma revisão dos gastos. Se estiver tudo bem, o ideal é fazer uma revisão pelo menos uma vez por ano; se não estiver tudo bem, é preciso revisar imediatamente; depois que as contas entrarem nos eixos, vale dar uma olhada a cada três meses, depois espaçar para seis meses, e assim por diante.

Fonte: http://economia.uol.com.br/

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