“Mapa do estupro” mostra que periferia é região mais afetada na capital

RN - PROTESTO-CONTRA-ESTUPRO-NATAL - GERAL - Protesto contra estupro em Natal (RN), neste sábado (28). 28/05/2016 - Foto: FRANKIE MARCONE/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O registro dos casos de estupro na capital paulista mostra que esse tipo de crime está  concentrado nas regiões periféricas (ver mapa abaixo). Os quatro DPs (Distritos Policiais) com maior número de notificações entre janeiro e abril deste ano ficam em áreas pobres da cidade: Itaim Paulista (28 casos); Campo Limpo e Jardim das Imbuias (22) e Capão Redondo (21).

Nos últimos cinco anos, o número de registros teve uma queda de 14% na cidade. Em 2011, houve 2.418 denúncias e, em 2015, 2.087. Mas, é sabido que o número de vítimas é muito maior do que o oficial e ainda representa um dos maiores desafios na área de segurança pública.

A subnotificação acontece por conta do medo e da vergonha que as mulheres ainda têm de denunciar. De acordo com a psicóloga Letícia Bahia, há estimativas que apontam que apenas 35% das mulheres vítimas de estupro levam seus casos à polícia.

— É um problema muito difícil de diagnosticar. A gente sabe que esse número é muito grande e diz muito sobre o despreparo para acolher essas vítimas.

Letícia explica, ainda, que o medo de a vítima denunciar vem muito do sentimento de culpa que ela sente por conta de como a sociedade vê as pessoas que sofrem os abusos. Segundo ela, mais do que dar destaque para casos que já aconteceram, é preciso educar a sociedade para que esses crimes não aconteçam mais. O que partiria do princípio de educar os homens para que respeitem as mulheres.

— A gente caminha sempre com a lupa no caso que já aconteceu. Você vê muito as pessoas falando sobre o que fazer com esses criminosos e isso não vai resolver o problema. Vai só saciar a nossa sede de justiça, que até se confunde um pouco com vingança.

Um relatório do Ipea de 2014 estima que 527 mil tentativas ou casos de estupro ocorram todos os anos no Brasil. Com base nessa informação, Letícia diz que os casos registrados são de pouco abaixo de 50 mil. Isso mostra que em média, apenas 10% dos casos são reportados.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública informou que a Polícia Militar recebe treinamento para priorizar os casos de urgência e emergência e que, com isso, “os despachos de viaturas podem ser feitos para que as vítimas recebam uma rápida resposta policial”.

Além disso, “o secretário da Segurança Pública, Mágino Barbosa, criou um grupo de estudo com promotoras e membros das polícias para combater os casos de violência doméstica e sexual”. De acordo com a pasta, “ele irá se reunir nas próximas semanas com os diretores e os comandantes de todo o interior para discutir novas ações para o combate da criminalidade no Estado, de acordo com a necessidade de cada região”.

 

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