Marina defende operação “Lava-voto” em Guarulhos

A ex-senadora e duas vezes candidata a presidente da República, Marina Silva, porta-voz da Rede Sustentabilidade, esteve em Guarulhos nesta terça-feira, para selar a união de seu partido com o PSB (Partido Socialista Brasileiro) e com o PPS (Partido Popular Socialista) para as eleições municipais deste ano.

O evento foi realizado no hotel Slaviero, cuja sala de convenções ficou lotada de pré-candidatos e observadores da cena política. Falaram dirigentes das três legendas, todos defendendo a identidade de propósitos, no sentido de dotar a cidade de uma nova forma de fazer política. Após os discursos, houve entrevista coletiva aos profissionais de imprensa.

Marina estava ao lado do pré-candidato a prefeito pelo PSB, Guti Costa, e do advogado Alexandre Zeitune, escolhido pela Rede para ser o vice na disputa municipal.

Zeitune pregou uma noca correlação de forças, em contraponto à política sistêmica “que tanto tem infelicitado a Nação e deixado o povo à parte das decisões que afetam as famílias brasileiras”. Ele citou que sustentabilidade que faz parte do nome da Rede precisa ser praticada em toda sua plenitude, incluindo a ética na política. Justificou a parceria com Guti, dizendo que se trata de uma aliança programática e não interessada no poder.

Guti disse que a cidade está tão abandonada pela gestão municipal que as pessoas têm vergonha de dizer que são guarulhenses. Defendeu o diálogo com a população como forma de conhecer de perto suas necessidades e anseios. “Em vez de ficarmos falando dos problemas, temos de apontar caminhos, mostrar soluções”, afirmou.

Marina Silva explicou que os dirigentes da Rede são chamados de porta-vozes porque foi decidido não haver presidentes do partido nas várias esferas. Tanto na nacional, quanto nas estaduais e municipais, são sempre dois porta-vozes, sendo um homem e uma mulher, dos quais um mais experiente e outro mais jovem.

Afirmou estar feliz com a união do partido em Guarulhos com o PSB, porque tem muita gratidão a essa legenda, que a acolheu em 2014, quando, por uma manobra dos cartórios eleitorais estaduais, a Rede não pôde ser oficializada. Referiu-se com reverência a Eduardo Campos, que faleceu no decorrer daquela campanha eleitoral e foi por ela substituído na disputa pelo Planalto.

Ela disse ter ciência de que há em Guarulhos grupos poderosos buscando vencer a eleição, a exemplo do que acontece pelo Brasil afora. “Queremos fazer alianças com as células vivas da sociedade, com os empreendedores sociais. Não temos grandes palanques, nutridos por expedientes escusos, mas é melhor ficar no tablado, com muito capital social, credibilidade e criatividade, para ganhar a eleição com ética”, afirmou. Citou que, em 2014, enquanto ela e Eduardo Campos divulgaram o programa de governo costurado entre as duas equipes, os candidatos do PT e do PSDB nada apresentaram: “Deu no que deu. É o que acontece quando se tem apenas um projeto de poder. Queremos para Guarulhos um projeto de cidade, com um ativismo movido pelas próprias pessoas”, definiu.

Concluiu afirmando que a política brasileira não está no fundo do poço, mas sim num poço sem fundo. Por isso, disse que Guarulhos pode dar o exemplo, fazendo a “Operação Lava-voto”: “Tenho certeza de que vocês irão surpreender; o povo de Guarulhos vai votar de uma forma limpa, diferente da velha política”.

Ausência e omissão

Notei a ausência do ex-vereador Ricardo Rui (PPS), que também fora cogitado para ser o pré-candidato a vice de Guti. Perguntei ao presidente local da legenda, Antonio Carlos Posse Fuscaldo, se Rui ficara magoado com a escolha de Zeitune para a vaga. Ele disse que a decisão foi conjunta e que Rui, que é médico, só não compareceu por um compromisso profissional.

Estavam presentes o presidente do PSC (Partido Social Cristão), José de Oliveira, e o ex-vereador Joel Bomfim, que protagonizou há dias entrevero com manifestantes petistas na porta da Câmara Municipal. Ambos foram citados em momentos diferentes por Zeitune e Guti. Porém, nenhum deles mencionou o partido. Ficou a impressão de que a coligação deve contar também com o PSC, mas os pré-candidatos demonstraram temor em anunciar isso publicamente.

Coletiva

Indaguei a Marina Silva se a Rede definiu com quais partidos aceita fazer aliança e como agirá diante de união com setores mais conservadores politicamente. Ela respondeu que, além do princípio programático, a política de alianças da Rede exige obedecer à questão ética: “A prática política das pessoas precisa ser coerente com o discurso”, afirmou.

Em resumo, nas respostas a outros jornalistas, Marina elogiou a juventude de Guti: “Aos moços, pode faltar experiência, mas sobra garra e vontade de mudar o que está aí e que não serve mais”. Defendeu ampla reforma política, mas disse não crer que o Congresso atual a promova, pois ninguém ali quer votar contra os próprios interesses. Pregou acabar com o financiamento de campanhas, o que só será possível criando novas formas de captação de recursos. Citou uma plataforma posta em prática pela Rede nesse sentido.

Indagado sobre reduzir o número de cargos comissionados na Prefeitura, Guti respondeu que é preciso ser firme para segurar a sede dos partidos por fatias do poder. Deu exemplo de atitude dele, como vereador, que votou contra aumento da verba de gabinete e, tendo sido voto vencido, recusou-se a receber o adicional. Calculou que se todos tivesse agido assim, o Município teria economizado quase R$ 20 milhões. Afirmou não ter nenhum cargo no Executivo Municipal.

Sobre comentários de que seria “regra 3″do PT, Marina terminou dizendo suas atitudes demonstram qual é a verdade: “É melhor sofrer injustiça do que praticá-la”.

Valdir Carleto

Fonte:http://www.clickguarulhos.com.br/

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