Mulher no mercado de trabalho

É fato que, há muito, o público feminino deixou de ser visto como sexo frágil e o mercado de trabalho, um local dominado por homens. A partir da década de 70, as mulheres ganharam as ruas e espaço nas mais diversas profissões, criando um novo contexto, onde é permitido às meninas sonhar e realizar; e as crianças, independente do sexo, podem ser (praticamente) o que quiserem quando crescerem. O preconceito ainda existe, infelizmente, e ainda há muito a se conquistar, mas, com tanto empoderamento, o mundo segue e, cada vez mais, reafirma que lugar de mulher é mesmo onde ela quiser.

Pioneirismo

Meio século atrás, a portuguesa Maria Manuela Carvalho Gomes já mostrava a força do que hoje é conhecido como girl power, ou, em tradução livre, poder feminino. Filha de um carpinteiro e uma tecelã, ela veio para o Brasil em 1953, de navio, em uma viagem que durou 13 dias; estabelecida em São Paulo, com apenas 12 anos, conseguiu autorização de um juiz e foi trabalhar em uma fábrica de artigos de lã; já casada, viu seus pais se mudarem para Guarulhos e veio atrás da mãe. No município, acabou à frente de uma loja de material de construção: o Depósito Cidade Maia. “Meu pai convenceu a família a começar o negócio, mas logo acabamos apenas eu e meu marido, que não gostava do atendimento e ficou encarregado das entregas. Então sempre administrei o local. Tinha conhecimento de carpintaria e já sabia cubicar [ato de medir, em unidades cúbicas, a quantidade de itens necessários para um projeto]. O resto do aprendizado foi no dia a dia. Os tubos e conexões eu pendurava que nem linguiça, numa madeira, para que o freguês mostrasse o que ele queria”, lembra ela, sorrindo.
Pioneira em um mercado dominado pelo sexo masculino, a entrevistada, a simpática senhora, com dois filhos e dois netos e um negócio promissor com mais de 50 anos, tem certeza de que sua luta e persistência valeram a pena. “Fiz só até o primário e não frequentei nenhuma faculdade; então chegar até aqui foi um caminho muito árduo. Mas consegui vencer. Tenho até um troféu que ganhei da Prefeitura, como uma mulher que faz a diferença. […] Somos inteligentes e capazes, assim como os homens: é só ter uma oportunidade que a gente faz e faz bem feito. Acredito que é por isso que minha loja sobrevive até hoje: por termos apenas mulheres no balcão, uma exigência minha”.

Empreendedorismo feminino

Para Regina Yabu Pavanello, proprietária da Vital Odontologia há mais de 20 anos, primeira mulher vice-presidente de serviços da ACE-Guarulhos (Associação Comercial e Empresarial), em 50 anos da entidade, e diretora financeira do CME (Conselho da Mulher Empreendedora), a crescente presença feminina nos negócios é uma realidade incontestável, mas ainda existem obstáculos a serem vencidos. “O perfil mais humanista e multitarefa do sexo feminino tornou-se um diferencial importante no mercado. Algumas pesquisas já mostram que 51% das empresas brasileiras são geridas por mulheres. E isso tende a crescer. A mulher tem mais jogo de cintura, é mais sensível e também usa mais a inteligência emocional. Mas, vivemos em um país latino-americano, onde o machismo e suas barreiras culturais ainda predominam. O desafio é vencer essa dominação masculina”, avalia.

O céu é o limite

Flavia Regina Giardini era secretária e não estava feliz com sua profissão. Então, aos 35 anos, resolveu correr atrás de seu sonho de criança. “Quando pequena, minha mãe me levava ao aeroporto de Congonhas para ver os aviões. Ali nasceu a vontade de pilotar. Após tomada minha decisão, não sofri com reprovações, mas ouvi muitas críticas por tentar uma nova carreira naquela altura da vida”. Ela conta que o primeiro curso que fez foi o de piloto privado, no Aeroclube de São Paulo (2009), cursando depois piloto comercial e instrutor de voo. “Não foi fácil: as aulas exigem dedicação e muito estudo; conseguir trabalho também não é fácil; hoje, por conta da crise, está quase impossível”, afirma ela, que atuou por três anos como instrutora.

Sobre o espaço da mulher no mercado de trabalho, a profissional acredita que a sociedade está no caminho certo, mas que a mudança leva um tempo para acontecer. “Não sofri preconceito na área, exceto algumas piadas de mau gosto que ouvi enquanto ainda estudava. […] Como as mulheres estão quebrando paradigmas e, cada vez mais, ocupando cargos que eram tomados pelo sexo masculino, as crianças começam a ser educadas num contexto diferente. Com certeza, isso vai levar a um futuro com menos machismo e mais igualdade”, finaliza.

Fonte:https://www.clickguarulhos.com.br

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