Em declarações a jornalistas após seus encontros com a presidente, empresários adotaram um tom otimista.

“O Brasil é um mercado importante para nós e estamos comprometidos com seu futuro”, disse David Cheesewright, presidente da rede de supermercados Walmart.

Ele se disse “encorajado” pelas reformas do governo e por “esforços para tornar mais simples gerenciar negócios e melhorar o sistema de impostos”.

O brasileiro Carlos Brito, CEO da gigante de bebidas AB Inbev, elogiou a iniciativa de Dilma de se aproximar dos empresários na visita. Segundo ele, a presidente afirmou que “estará aberta a sugestões” do grupo.

Para Andre Gluski, presidente da AES, dona da Eletropaulo, “o público em geral ficou muito impressionado” com o discurso de Dilma. Ele também se disse otimista sobre a perpectiva de investimentos no Brasil no longo prazo.

Em privado, porém, executivos de duas empresas com representantes nas reuniões disseram que os desdobramentos da Lava Jato geram incertezas sobre a economia brasileira e a capacidade de Dilma de governar.

Um deles se disse receoso de que, conforme as denúncias se aproximam do alto escalão do governo, Dilma se fragilize e o ajuste fiscal fique comprometido, o que “tiraria o Brasil dos trilhos”.

Ele afirmou que, embora no longo prazo o Brasil siga sendo um mercado promissor para sua empresa, algumas decisões de investimento poderão ser adiadas até que o ajuste fiscal se consolide e se conheça toda a extensão das denúncias da Lava Jato.

Delegação desfalcada

No dia anterior, a presidente ouviu em Nova York executivos de multinacionais brasileiras. A Lava Jato desfalcou a delegação empresarial nacional.

Normalmente presentes em missões como essa, as principais empreiteiras brasileiras, que tiveram executivos presos na operação ─ entre as quais Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e OAS ─, não enviaram representantes para a visita de Dilma aos Estados Unidos.