O LAMENTÁVEL ESTADO DE ABANDONO DO ESPORTE GUARULHENSE

Uma triste radiografia do outrora glorioso Estádio Arnaldo José Celeste
Texto, fotos e vídeo de Valdir Carleto
Têm sido recorrentes nas redes sociais as queixas contra o estado de abandono do ginásio da Ponte Grande. O Click Guarulhos enviou à Assessoria de Imprensa da Prefeitura uma série de questionamentos e parte deles com as respectivas respostas está sendo publicada na Revista Weekend desta sexta-feira, 15.
Na rua Domingos Fanganiello, bairro da Ponte Grande, há uma série de casas à venda. O fenômeno não tem a ver com a crise econômica do país. É que morar próximo ao Estádio Arnaldo José Celeste virou um inferno, segundo relatam vizinhos ao espaço esportivo, um dos poucos em plena atividade na atual gestão da Secretaria de Esportes. Por exemplo, o João do Pulo está em reforma há tempos, o Thomeozão está sem licença de funcionamento e o Fioravante Iervolino, que já estava parado há anos, foi cedido a um motoclube.
Moradores queixam-se de que treinos e jogos acontecem até muito tarde e que, como o ginásio não tem tratamento acústico, o barulho incomoda, a ponto de não se conseguir assistir à televisão ou atender um telefonema.
O correto seria que as atividades se encerrassem às 22 horas. Porém, como poucos locais da Secretaria de Esportes têm recebido jogos atualmente, vizinhos alegam que tem sido comum haver atividades ali até a 1h da madrugada.
Outras vezes, conforme relatam, o jogo acaba, mas as pessoas ficam bebendo e conversando até muito tarde.
Há relatos de que, na parte externa da quadra, frequentadores bebem cerveja e atiram garrafas em direção às casas do outro lado da rua.
Mas, afinal, por que a Secretaria marca jogos para tão tarde? A resposta é que quem marca os jogos no ginásio da Ponte Grande é o Ponto de Encontro do Futsal, que também se queixa, nas redes sociais, do fato de a quadra estar com problemas no telhado, o que a faz ficar inundada, impedindo a prática de jogos.
Um ex-funcionário da Secretaria diz que a Liga também usa uma quadra particular na vila Augusta, onde paga R$ 12 mil de aluguel mensal. Já o espaço público municipal seria utilizado como se fosse privado.
Outro ponto a esclarecer são os critérios que a Prefeitura adota para dar a permissão de exploração comercial de bar e lanchonete nos próprios municipais.
Diante das reclamações dos moradores, solicito responder as seguintes questões:
1) Quem fiscaliza o cumprimento de horário máximo de atividades nos próprios municipais e, especificamente, no ginásio da Ponte Grande?
2) Quem determina o horário de treinos e jogos naquele local? Qual o horário definido para encerramento dos jogos?
3) Qual critério foi utilizado para que a Liga de Futsal Ponto de Encontro promova campeonatos, torneios e treinos no ginásio da Ponte Grande? 4) A entidade ocupa algum outro espaço público municipal? Se positivo, qual o dispositivo legal que autorizou a utilização?
5)A entidade paga algum valor ao Município? A entidade recebe algum valor dos times que participam dos jogos e campeonatos ali realizados?
6) Quem tem permissão de exploração comercial da lanchonete do estádio Arnaldo José Celeste? Quando foi feita a licitação e por quanto tempo é sua vigência?
7) Quanto a Prefeitura arrecada de aluguel da lanchonete?
8) No fim dos anos 1990, um decreto do então prefeito, Jovino Cândido, proibiu a venda de bebidas alcoólicas em próprios municipais. Essa norma está em vigor?
9) O Art. 1º da Lei nº 6.386, de 9 de junho de 2008, diz: Fica vedada a utilização e exposição de fumo e seus derivados, de bebidas alcoólicas e seus derivados em qualquer evento destinado a crianças e adolescentes promovidos pela Administração Direta, Indireta e Autárquica do Município de Guarulhos e também em eventos privados. Quem fiscaliza se essa vedação está sendo cumprida?
10) Nos outros próprios municipais para a prática de esportes têm sido feitas licitações para a concessão das lanchonetes?
11) Quem explora as lanchonetes dos outros espaços esportivos da cidade e quanto elas rendem aos cofres públicos municipais?
12) Caso não gerem receita, por que não, já que a Prefeitura tem tido queda de arrecadação, com a consequente má conservação dos próprios municipais?

RESPOSTAS DA PREFEITURA

Quanto à escala de utilização dos espaços, horários e venda de bebida alcoolica:

A Secretaria de Esporte, Recreação e Lazer esclarece que a agenda dos próprios municipais é responsabilidade exclusiva da Secretaria de Esporte, Recreação e Lazer, portanto não procede a informação de que o Ponto de Encontro de Futsal tenha influência sobre a formulação da agenda que é pública e encontra-se à disposição da população na sede da Pasta, no Macedo.

Tentamos ao máximo disponibilizar o espaço da melhor forma possível para abrigar massificação esportiva, treinamentos e jogos das equipes que representam Guarulhos, bem como competições organizadas por entidades e equipes da cidade que também têm direito de usufruir gratuitamente do ginásio . O que ocorre é que infelizmente não é possível atender plenamente a todos que nos procuram, que por suas vezes têm a liberdade de recorrer a outros espaços, gratuitamente ou não, questão que não é da alçada da Secretaria de Esporte.

Ainda sobre a agenda, o horário máximo de término dos jogos é impreterivelmente às 22 horas, quando os portões são fechados e todas as atividades encerradas e os funcionários dispensados. A orientação que passamos aos frequentadores do ginásio é que respeitem a vizinhança local, fazendo silêncio principalmente à noite, porém infelizmente não temos poder para intervir no que acontece dos portões do ginásio para fora, inclusive sobre o consumo de bebidas alcoólicas que, em respeito à lei, de forma alguma são vendidas nas lanchonetes de qualquer próprio esportivo municipal.

Quanto à licitação das lanchonetes:

A Secretaria de Esporte, Recreação e Lazer esclarece que a última licitação para utilização das lanchonetes dos espaços esportivos foi realizada há 5 anos, porém não houve interessados.Devido à isto, em alguns casos, quem explora as lanchonetes dos espaços esportivos municipais são as mesmas pessoas há cerca de vinte anos. No caso da Ponte Grande, quem explora o local é o Sr. José Pires há cerca de 10 anos.

As lanchonetes não geram receita porque não há lei municipal que possibilite realizar cobrança de taxas e/ou aluguel dos comerciantes em questão.

Quanto à fiscalização do cumprimento da legislação:

A Secretaria de Desenvolvimento Urbano informa que os locais mencionados na demanda, bem como eventuais irregularidades, são fiscalizados em ações de rotina.

 

MORADORES REAGEM

Diante das respostas da Prefeitura, moradores garantem que há consumo de bebida alcoólica na área interna e reafirmam que jogos ultrapassam a meia-noite e só pararam porque a quadra está danificada. Afirmam ter fotos do quadro, com treinos até 1h da manhã.

 

TIRA-TEIMA

Como surgiu esse impasse entre as respostas oficiais e o que dizem moradores e frequentadores, estive pessoalmente no Estádio da Ponte Grande na manhã desta quinta-feira, para tentar chegar a uma conclusão e transmitir aos internautas e leitores da revista. Pouco depois, recebi a visita de Carlos Alberto Fernandes, presidente do Ponto de Encontro de Futsal.

Quanto à influência do Ponto de Encontro, apurei que a entidade utiliza a quadra nos sábados e domingos e que, nos dias de semana, o espaço costuma ser utilizado para treinos de voleibol e handebol.

Concluí que os jogos realizados após as 22h ocorreram em momento específico, para treinos de handebol, quando o Thomeozão foi interditado. No geral, terminam às 22h ou pouco depois.

Não pude comprovar se a lanchonete vende bebida alcoólica, porque o estabelecimento estava fechado. Soube que não tem sido aberta, desde que a quadra foi invadida pela água, pois é impossível usar a quadra para qualquer atividade, como se pode ver na foto e no vídeo. Um frequentador comentou que se as lanchonetes das áreas esportivas não puderem vender cerveja, terão de fechar, pois não terão frequentadores.

Não conheço quem é dono da lanchonete e, portanto, nada tenho contra ele. Mas, na condição de contribuinte, minha opinião quanto à ausência de licitação é de que deveria ser realizada com mais frequência e bem divulgada, para que houvesse vários concorrentes. Lógico que, se não há lei que estabeleça pagamento de algum valor para a exploração comercial de próprios municipais, o Executivo deveria propor ao Legislativo algo nesse sentido.

O dirigente do Ponto de Encontro afirma que há 300 times associados, que participam de um campeonato anual. E que a entidade tem tido a primazia do espaço nos fins de semana, porque todos esses times querem jogar e não dispõem de

Fonte:http://www.clickguarulhos.com.br/

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