Oito anos após prata no Pan, Barbosa volta à seleção e mira pódio em 2016

Medalhista de bronze nas Olimpíadas de Sidney 2000, Antonio Carlos Barbosa se despediu da seleção brasileira de basquete feminino com a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. A derrota para os Estados Unidos por 79 a 66 na final também ficou marcada pelo adeus de Janeth, o choro de Hortência e o silêncio de Oscar. Oito anos depois, otreinador volta a comandar pela terceira vez na carreira a equipe canarinho com a missão de retomar as láureas do passado. A busca por uma medalha nos Jogos do Rio, em 2016, não é um sonho distante para Barbosa, que acredita no potencial do grupo, em processo de renovação. O clima conturbado do basquete feminino, a ameaça de boicote e os resultados abaixo do esperado do time nas últimas edições dos Jogos Olímpicos e Mundiais não assustam o paulista de Bauru, técnico do time de 1996 a 2007 e 1976 a 1984.

– A seleção feminina vem sem resultados internacionais desde 2007, aquela prata no Rio foi o nosso último pouso. Depois desse período, não conseguimos nenhuma colocação condizente com o nível do basquete brasileiro, com colocações muito ruins em Olimpíadas e Mundiais. Esta é uma boa oportunidade de retomada, não pela minha presença, mas pelas excelentes jogadoras que temos. Tem gente que pensa e diz que o basquete feminino no Brasil acabou. Não acabou. Vamos fazer um bom trabalho técnico, físico e emocional. Quando a gente começa a perder, principalmente, mulher que é muito sensível, isso influencia na confiança. Vou recuperar a autoestima delas e valorizar o grupo. Elas têm condições técnicas de ser uma das equipes com destaque internacional. Você precisa ter um espírito de vencedor e incutir isso na cabeça das jogadoras. Despertar para ela acredita que tem a possibilidade de chegar. Eu acredito que temos todas as condições de conquistar uma medalha nas Olimpíadas – disse Barbosa.

O seu último trabalho foi no Maranhão Basquete (MA), na temporada de 2013/2014, quando o time ficou em quarto lugar na Liga de Basquete Feminino (LBF). Anteriormente, ele comandou o  Ourinhos (SP) na campanha do vice-campeonato da LBF, em 2010/11 e 2011/12. Em 2015, o Barbosa se dedicou a ministrar clínicas de basquete pelo país. Ele coleciona no currículo duas Olimpíadas e cinco Mundiais (Coreia 1979, Brasil 1983, Alemanha 1998, China 2002 e Brasil 2006). O técnico conquistou o bronze nos Jogos Olímpicos de Sydney 2000 e o quarto lugar em Atenas 2004. No currículo, ele ainda acumula três medalhas em cinco edições dos Jogos Pan-Americanos (San Juan 1979, bronze em Caracas 1983, Winnipeg 1999, bronze em Santo Domingo 2003 e a prata no Rio 2007, além de oito títulos em Sul-Americanos.

O treinador também tem passagens pelas categorias de base. Ele terminou em quarto lugar o Mundial Juvenil, em 1997, no Brasil, foi campeão da Copa América Juvenil , em 1996, no México, da Copa Pan-Americana Juvenil, em 1978, no Peru, do Sul-Americano Juvenil, em 1976, no Paraguai, e do Sul-Americano Cadete, em 2001, no Equador. A renovação será a sua grande missão em busca de melhores resultados nas Olimpíadas do Rio, em 2016.

Em busca de melhores resultados, o técnico aposta em uma mescla de juventude e experiência, baseada no talento de veteranas como Adrianinha (37), Karla (36) e Kelly (36), e das quatro pivôs que atuam na WNBA, Erika (33), Nádia (26), Clarissa (27) e Damiris (23).

– Não vejo um desequilíbrio tão grande do Brasil em relação ao basquete mundial. Tirando os Estados Unidos, o time está no mesmo nível das outras equipes. Temos cinco pivôs que jogam ou já jogaram na WNBA (Erika, Nadia, Damiris, Clarissa e Kelly), a Adrianinha jogou muitos anos na WNBA, e a Iziane também. Vou levar as melhores. Olimpíada não é o momento de renovar. Nós tivemos um ciclo olímpico, que, infelizmente, não fiz parte, mas eu acompanhei e tenho uma avaliação muito clara das jogadoras. O ciclo para mim termina agora. Quem tiver sido aprovada, volta, quem não for, está fora. Se a melhor tem 38 anos, não vou deixar de chamá-la para levar uma menina de 20 só porque é bonitinho dizer que eu estou renovando. Jogadora no feminino, ao contrário do masculino, alcança o auge em torno dos 30 anos. Paula e Hortência eram diferenciadas, então sempre se destacaram desde jovens – revelou o paulista.

Em sua primeira passagem pela seleção brasileira feminina, entre 1976 e 1984, Barbosa passou por um momento de profunda renovação. Viu surgir uma geração talentosa, liderada por Magic Paula, Hortência, Martha Sobral, Vânia Teixeira e Vânia Hernandes. O retorno em 1996 foi no Mundial Juvenil. No ano seguinte, Barbosa assumiu a equipe principal adulta diante de uma situação delicada. O Brasil, que havia sido campeão mundial em 1994 e medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, perdia seus principais nomes, Paula e Hortência. Janeth seguia no time e foi um dos pilares para a evolução de grupo jovem. Com seis estreantes, a seleção voltou as Olimpíadas de Sidney 2000 com o bronze. Com exceção do Mundial da China de 2002, o Brasil terminou todos os torneios entre os quatro primeiros.

Desde a saída de Barbosa, o Brasil vem atravessando um caminho difícil e marcado por decepções, com exceção de Sul-Americanos (ouro em 2008, 2010, 2012 e 2014). Depois de ficar com a última vaga para os Jogos de Pequim 2008 no Pré-Olímpico Mundial, o time se despediu com o 11º lugar na China. Em Londres 2012, a nona colocação também deixou um gosto amargo. Situação que se repetiu em Mundiais: nono lugar em 2010 e 11º no ano passado, na Turquia, quando a seleção arrancou uma vitória heroica sobre o Japão e evitou o maior vexame da história. O pior desempenho foi em 1975, quando o Brasil ficou 12º na Colômbia.

O próximo compromisso da seleção brasileira de basquete feminino será o evento-teste para as Olimpíadas do Rio, de 15 a 17 de janeiro. A lista de convocadas divulgada antes da renúncia de Luiz Augusto Zanon permanece a mesma. A apresentação da equipe será no dia 6 de janeiro. Na preparação para 2016, a equipe planeja disputar amistosos com estrangeiros no Brasil.

– A primeira coisa que eu vou falar para as meninas no evento-teste é: “Vamos buscar medalha”. Eu não sou um técnico covarde que se esconde atrás de resultados. Eu saio com resultados.

Fonte:http://globoesporte.globo.com/

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