Poder do Palmeiras está no conjunto; dupla santista brilha em 83% dos gols

Gabriel e Lucas Lima deram um dos últimos três toques na bola em 20 dos 24 gols marcados pelo Santos na Copa do Brasil. Do lado palmeirense, 12 jogadores fizeram os 23 tentos do clube na competição. Ainda que a quantidade de gols marcados e sofridos (o Santos levou dez gols; o Palmeiras, 13) seja muito parecida, a dinâmica das equipes é praticamente oposta.

Um reflexo dessa diferença aparece na campanha que levou os clubes paulistas à final. O Palmeiras eliminou o jogo de volta da primeira fase ao derrotar o Vitória da Conquista por 4 a 1 e, por isso, disputou uma partida a menos do que o Santos, mas sofreu três gols a mais.

As diferenças não param por aí: a campanha da equipe palmeirense tem sido mais sofrida do que a santista. Em 12 jogos, o Palmeiras teve sete vitórias, três empates e duas derrotas (uma para o Santos no primeiro jogo da final e outra para o Fluminense no primeiro jogo da semifinal, ambos fora de casa).

O Santos foi mais eficaz: em 13 partidas, teve 11 vitórias, um empate e uma derrota (contra o Sport, por 2 a 1, no jogo de ida da terceira fase). Daí em diante, o Santos venceu todos os seus confrontos: contra Sport, em casa, e os dois diante de Figueirense, Corinthians e São Paulo. Para facilitar a comparação, o critério de pontos ganhos por partida mostraria o Palmeiras com 24 contra 34 do Santos (que disputou um jogo a mais).

Dos 47 gols marcados pelos dois times, apenas em um a finalização foi de fora da área, feita pelo Santos. As duas equipes também se defendem bem contra finalizações de longa distância. A equipe santista levou dois de pouco antes da meia-lua, e o time palmeirense, apenas um, da intermediária esquerda, no empate contra o Internacional, no primeiro jogo das quartas de final.

ATAQUE DO SANTOS X DEFESA DO PALMEIRAS

Gabriel pode ser considerado o maior perigo para o Palmeiras por ser o artilheiro da Copa do Brasil e o maior goleador do Santos na história da competição. O atacante conseguiu a maioria dos oito gols que marcou com finalizações do lado direito do campo, cinco.

A maior parte das assistências para gols do Santos também sai do lado direito. Ao todo, 15 passes saíram desse lado e sete do lado esquerdo. Houve dois gols de pênalti.

Mas o Santos ainda tem Lucas Lima, o maior garçom da equipe na competição, com passes para seis gols. Além disso, o camisa 20 fez um gol e participou de outros três dando o toque que antecedeu a assistência.

O poder ofensivo do Santos é tão grande pela direita, que apesar de em 12 jogos o Palmeiras só ter sofrido dois gols com adversários entrando pela esquerda de sua defesa, foi por ali que Gabriel recebeu de Ricardo Oliveira e fez o gol do primeiro jogo da decisão, que deu a vantagem do empate para o Peixe na quarta-feira.

Ainda assim, se fez nove gols pela direita, o Santos fez outros nove pela esquerda, todos com conclusão da frente da pequena área.

O Santos fez nove gols de jogadas aéreas, o que equivale a 37,5%. Já a defesa do Palmeiras só sofreu quatro gols dessa maneira na Copa do Brasil, o que representa 31% dos gols levados.

ATAQUE DO PALMEIRAS X DEFESA DO SANTOS

O jogo solidário do Palmeiras coloca tanta pressão sobre o adversário que dos 23 gols da equipe alviverde, 30% foram marcados de dentro da pequena área, e é justamente daí que o Santos sofreu um de cada três gols.

O artilheiro do time na competição é Zé Roberto, com quatro, sendo dois de pênalti, um do lado esquerdo da grande área e um da pequena área.

Uma consequência da organização coletiva do Palmeiras é saber aproveitar os rebotes oferecidos pelos adversários. Cinco gols saíram assim, quatro a partir de jogadas aéreas.

Na Copa do Brasil, o Palmeiras tem nove gols a partir de bolas aéreas, o que representa 39%. No Brasileiro, a equipe é a que mais faz gols em bolas altas, conseguindo 30 de seus 58 tentos dessa maneira. Já o Santos é a segunda equipe que menos sofreu gols assim na Série A (13). Na Copa do Brasil, já levou três.

Assim como o rival, o ataque do Palmeiras também funciona melhor pelo lado direito do campo, de onde saíram nove assistências para gols, contra cinco do lado esquerdo.

Ainda que o Palmeiras não tenha feito nenhum gol de fora da área, o Santos já sofreu dois de longa distância e essa pode ser uma saída caso a equipe alviverde tenha dificuldades para entrar na defesa santista.

*Davi Barros, estagiário sob a supervisão de Rodrigo Breves e Valmir Storti. A equipe do Espião Estatístico é formada por Bruno Marques, Davi Barros, Guilherme Marçal, Gustavo Pereira, Igor Gonçalves, Leandro Silva, Pedro Lopes, Roberto Teixeira e Valmir Storti.

Fonte:http://globoesporte.globo.com/

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