Projeto Tear promove inclusão social pelo trabalho

Projeto Tear - Fotos Silvio Cesar (2)

Serviço público de saúde mental constituído por oficinas de trabalho artesanal para pessoas em situação de sofrimento psíquico, o Projeto Tear, que tem apoio da empresa Pfizer, beneficia centenas de pessoas em Guarulhos.

Criado em 2003, o programa tem sete oficinas: marcenaria, vitral, tear e costura, mosaico, serigrafia, papel artesanal e encadernação. Outras duas (jardinagem e culinária) serão acrescentadas nos próximos meses.

Essa é a terceira reportagem da série sobre projetos sociais que a Folha Metropolitana está publicando semanalmente.

Samuel Casemiro Pinto Ribeiro, de 34 anos, é um dos guarulhenses atendidos pelo projeto. Ele conheceu o Tear através do Centro de Especialização Médica (Cemeg), onde fazia tratamento psicológico, mas confessou que no início não queria fazer parte do programa. “Eu não queria vim. Tinha preguiça. Mas depois decidi experimentar, gostei da oficina de mosaico e estou aqui desde agosto de 2009”, comentou.

Hoje é um dos “trabalhadores” mais dedicados do local e agradece o programa por ter mudado a sua vida. “Antes eu não levantava cedo. Eu passava a maior parte do tempo dormindo. Depois que comecei a vim, melhorei. Fiquei mais ativo, mais animado e mais concentrado. Faço parte do conselho gestor agora”, comemorou.

Projeto Tear - Coordenadora Denise - Fotos Silvio Cesar (9)

Inclusão social

Coordenadora de equipe do Tear e terapeuta ocupacional, Denise Castanho Antunes afirma que o projeto é importante, pois pessoas com sofrimento psíquico não conseguem ter espaço no mercado formal de trabalho. “O Tear assegura o direito básico do trabalho, porque eles não vêm fazer exatamente aulas aqui. Eles vêm trabalhar nas oficinas que temos. A gente trabalha muito no molde da ideia do que seria o cooperativismo, questão coletiva, autogestão em cada oficina”, explicou.

Aprendizado - As oficinas de costura são muito concorridas (Foto: Silvio Cesar)

Beneficiados recebem bolsa-auxílio

Apesar de o Projeto Tear não ser configurado como trabalho, em razão das leis trabalhistas, as pessoas que participam recebem bolsa-auxílio. “Essa bolsa é feita muito no molde do cooperativismo também. Tudo aquilo que foi comercializado naquela oficina, o valor vai ser decidido coletivamente. São eles mesmo que definem o fundo para compra dos produtos, da matéria prima”, contou Denise.

Eles não ganham valor fixo e quanto mais participam, mais têm retorno financeiro. As oficinas acontecem diariamente das 8h às 16h, com uma hora para refeição e um descanso para café da tarde.

Mosaico - Samuel é um dos atendidos pelo projeto

Trabalhos são comercializados

Os atendidos pelo programa não trabalham à toa. Todas as produções são comercializadas na própria loja do Projeto Tear, sob encomendas de empresas ou feiras de artesanato. “É o primeiro ponto de comércio justo e solidário de Guarulhos”, garantiu a coordenadora. “As empresas usam muito da questão do fundo de responsabilidade social que eles têm”, concluiu.

Entre os produtos vendidos estão convites de casamentos, blocos de anotações, cartões de visita, trabalho com mosaico, ecobags (sacolas) personalizadas, entre outras coisas.

Ocupacional - Atividades manuais são terapêuticas

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