Veja como foi a apuração da imprensa até o cancelamento do Espanta Pombos

a noite desta terça-feira, tornou-se pública a informação que o contrato firmado em março deste ano entre a Prefeitura de Guarulhos e o Consórcio Robotx-Monte Azul, no valor de R$ 9.438.700,00, para repelir pombos das escolas municipais de Guarulhos foi cancelado. O colunista Pedro Notaro publicou a informação em sua página no Facebook, fato que foi confirmado logo em seguida com a portaria, datada do último dia 25, revelando o indeferimento do recurso impetrado pela contratada.

Mas para chegar a esse cancelamento, foram pouco mais de 40 dias de publicações por veículos de comunicação da cidade, principalmente pelo portal , como pode ser visto na cronologia das reportagens, e pelo programa Radar de Notícias.
Houve também jornais de Guarulhos que saíram em defesa do contrato, publicando valores menores e informando que os resultados seriam ótimos para a população. Outros ainda pegaram carona e até divulgaram os fatos, mas sempre correndo atrás do trabalho de investigação realizado pelos jornalistas Ernesto Zanon, do Portal, e Pedro Notaro (Radar de Notícias), que contaram com a assessoria jurídica do advogado Alexandre Cadeu Bernardes.
Dia 12 de maio – Um jornal da cidade trouxe informação que a Prefeitura tinha firmado contrato de R$ 1 milhão para combater a proliferação dos pombos. No texto, nenhuma crítica ao valor – muito inferior ao contratado de fato -, além de mostrar que o gasto era justificável já que iria ajudar a combater essa verdadeira praga urbana.
Dia 13 de maio – O jornalista Pedro Notaro, em sua coluna Reticências…,  publicada também no Portal, chama a atenção para o fato do contrato ter sido firmado com um Consórcio formado dois meses
antes da assinatura do contrato por uma empresa que tinha capital social de R$ 1,00.
Dia 14 de maio – O Portal , em reportagem de Ernesto Zanon, traz pela primeira vez que o contrato era de R$ 9.438.700,00 e não de R$ 1 milhão, conforme publicado pelo jornal que defendeu o que veio a ser chamado de “Espanta Pombos”. A reportagem do Portal trazia ainda que o Consórcio tinha, em apenas dois meses, já realizado trabalhos da ordem de R$ 958 mil, além de outros detalhes.
Entre os dias 14 e 20, o Portal trouxe diversas notícias sobre o Espanta Pombos, inclusive a repercussão na Câmara Municipal.
Dia 20 de maio – O colunista Pedro Notaro, depois de questionar a Prefeitura de Botucatu sobre o uso da logomarca daquela municipalidade no site da Robotx, descobre que o Consórcio nunca realizou serviços para aquela administração municipal. No mesmo dia, em nota enviada ao Portal, o titular da empresa, Rodrigo da Cruz Garcia, informa que o símbolo da Prefeitura de Botucatu foi utilizado de forma incorreta em seu site e pede desculpas pelo “erro”.
Enquanto isso, jornais da cidade publicam matérias elogiando o contrato, trazendo depoimentos de pessoas ligadas a escolas municipais informando sobre as vantagens e necessidades de combater os pombos.
28 de maio – Vereadores da Oposição iniciam tentativa de aprovar na Câmara Municipal uma Comissão Especial de Estudos para avaliar o contrato “Espanta Pombos”.
9 de junho – Vereadores rejeitam o pedido de abertura de Comissão Especial de Estudos. Foram 25 votos não, quatro sim e duas abstenções. O principal argumento foi que o caso poderia ser avaliado pela Comissão Permanente de Educação, presidida pelo petista Rômulo Ornelas.
10 de junho – Em entrevista ao programa Radar de Notícias, o advogado Alexandre Cadeu Bernardes revela ao jornalista Pedro Notaro que tinha em mãos documentos que mostravam que a mesma Robotx cobrava R$ 40,00 de aluguel por mês por um sistema semelhante ao vendido à Prefeitura de Guarulhos.
11 de junho – O Portal traz ampla reportagem sobre o caso, após ter acesso ao contrato completo fechado entre a Prefeitura e a Robotx-Monte Azul. Nesta reportagem, detalhes extraídos do documento, que inclui desde o levantamento de propostas até a contratação, revelaram como a Prefeitura de Guarulhos iria desembolsar os R$ 9.438.700,00 para mandar os pombos voarem de um lado para o outro da cidade.
Entre os detalhes revelados, algumas contradições e manobras efetuadas até a realização da licitação em dezembro de 2014 e a assinatura do contrato em março de 2015.
18 de junho – Após investigação realizada pelo jornalista Ernesto Zanon, junto ao colunista Pedro Notaro, o Portal recebe do secretário municipal de Comunicação de Botucatu a informação oficial de que o atestado de capacitação técnica apresentado pela Robotx à Prefeitura de Guarulhos seria falso, já que a empresa nunca realizou tal serviço e a diretora que assinou o documento não tinha habilitação para isso. Tanto que a Secretaria de Educação daquele município admitiu que abriria um processo interno para apurar o caso e a profissional seria afastada do cargo. A notícia foi publicada com exclusividade em mais uma edição  no portal.
Na mesma edição, o advogado Alexandre Cadeu Bernardes, que estabeleceu uma investigação paralela, apresentou documentos que mostraram que o Consórcio tinha um título protestado no valor de R$ 110,00 após a assinatura do contrato com a Prefeitura de Guarulhos. Ele questionou: “Como uma empresa que não honra um pagamento neste valor pode assumiu um contrato de R$ 9,5
milhões?”.
No mesmo dia, uma série de reuniões na Prefeitura de Guarulhos foram realizadas para discutir a revelação feita pelo Portal. O clima ficou bastante tenso entre os secretários envolvidos no contrato e o prefeito Sebastião Almeida (PT), que teria sido aconselhado a romper imediatamente o negócio.
A decisão teria
ocorrida na sexta-feira, dia 19.
Dia 30 de junho – O colunista Pedro Notaro revela que o contrato foi cancelado. O recurso da Robotx foi rejeitado no último dia 25.
Fonte:http://www.guarulhosweb.com.br/

 

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